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Segunda-feira, 26 de outubro de 2026

B3 aciona circuit breaker após vitória de Lula sobre Flávio

O Ibovespa recuou 10,47% durante o pregão e fechou em baixa de 8,8%; a interrupção foi anunciada antes da abertura do mercado à vista.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Investidores acompanham as negociações em um pregão da Bolsa. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Investidores acompanham as negociações em um pregão da Bolsa.
Resumo em 30 segundos

A Bolsa brasileira acionou o circuit breaker após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno. O Ibovespa chegou a cair 10,47% e encerrou o pregão em baixa de 8,8%. A B3 tomou a decisão antes da abertura do mercado à vista, após identificar risco de queda superior a 20%.

A B3 acionou nesta segunda-feira (26) o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações na Bolsa, após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo (25). O Ibovespa chegou a cair 10,47% durante o pregão e fechou em baixa de 8,8%.

Foi a primeira vez que o resultado de uma eleição presidencial provocou a suspensão na Bolsa brasileira e também o primeiro acionamento desde março de 2020, durante a pandemia de Covid-19. Desde a criação do mecanismo, em 1997, houve 24 episódios, segundo o histórico apresentado pela B3.

O circuit breaker é uma medida de proteção para conter oscilações abruptas. A regra geral prevê uma pausa de 30 minutos quando o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, recua 10% em relação ao fechamento do pregão anterior. Se, depois da retomada, a queda alcançar 15%, as negociações são suspensas por uma hora. Caso o índice chegue a uma baixa de 20%, a B3 pode determinar uma nova interrupção por prazo definido pela instituição.

A suspensão alcançou negociações de ativos à vista, títulos de renda fixa privada e opções ligadas a ações, recibos de ações de empresas estrangeiras (BDRs), índices e fundos de índice (ETFs), entre outros produtos. O mecanismo considera a variação registrada durante o pregão, mesmo que o índice recupere parte das perdas antes do fechamento.

A B3 também informou que, nesta segunda-feira, decidiu anunciar a interrupção antes da abertura do mercado à vista. A decisão veio após a análise de preços indicativos apontar a possibilidade de uma queda superior a 20%. Em nota, a instituição afirmou que a medida buscava proteger investidores e preservar a integridade do mercado. A Bolsa disse que uma nova oscilação negativa de 20% em relação ao fechamento anterior levaria a outra pausa, de 15 minutos, seguida de leilão de cinco minutos.

A vitória de Lula, que obteve 51,8% dos votos válidos, contrariou as expectativas de parte dos investidores, que haviam apostado em uma vitória da oposição e passaram a desfazer posições montadas antes da votação. Flávio Bolsonaro recebeu 48,2% dos votos válidos.

O histórico de interrupções inclui crises internacionais e episódios de instabilidade no Brasil. Em 1997, durante a crise financeira asiática, a Bolsa acionou o mecanismo três vezes. No ano seguinte, a crise da Rússia levou a cinco suspensões; em 1999, a mudança para o câmbio flutuante provocou duas. A crise financeira mundial de 2008 resultou em seis acionamentos, e a pandemia levou a outras seis interrupções em março de 2020.

Em maio de 2017, a divulgação de uma gravação envolvendo Joesley Batista e o então presidente Michel Temer também provocou uma queda superior a 10% do Ibovespa durante o pregão e acionou o mecanismo.

Fontes: Estadão, Folha de S.Paulo

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