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Terça-feira, 3 de novembro de 2026

Inca aponta desigualdade racial no diagnóstico do câncer de mama

Entre 2000 e 2020, a mortalidade cresceu mais rápido entre mulheres negras; diagnóstico tardio e menor acesso ao cuidado também afetam a sobrevida.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Mulher negra conversa com uma médica em consultório, com um mamógrafo ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Mulher negra conversa com uma médica em consultório, com um mamógrafo ao fundo.
Resumo em 30 segundos

Estudo do Inca aponta que mulheres negras recebem diagnóstico de câncer de mama em estágio mais avançado e têm menor sobrevida em cinco anos do que mulheres brancas. A mortalidade anual cresceu quase quatro vezes mais rápido entre negras no período analisado, enquanto diferenças no acesso ao rastreamento e ao tratamento influenciam os resultados.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) publicou um estudo sobre câncer de mama e saúde das mulheres negras que aponta diferenças no diagnóstico e na mortalidade. Entre 2000 e 2020, a mortalidade anual pela doença cresceu 2,3% entre mulheres negras, ante 0,6% entre mulheres brancas — uma alta quase quatro vezes mais rápida, não uma comparação direta das taxas de morte dos dois grupos.

O estudo indica que mulheres negras tendem a receber o diagnóstico em estágio mais avançado. Cerca de 60% já apresentavam doença avançada quando foram diagnosticadas, ante aproximadamente metade das mulheres brancas. Embora haja mais diagnósticos de câncer de mama entre mulheres brancas, a diferença de acesso à detecção e ao tratamento influencia os resultados.

Uma pesquisa nacional com quase 60 mil mulheres tratadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), publicada na revista Lancet Global Health, acompanhou a sobrevida por cinco anos. Nesse período, estavam vivas 74% das mulheres brancas e 64% das mulheres pretas, uma diferença de dez pontos percentuais.

A cobertura de mamografia de rastreamento também varia: mais de 61% das mulheres brancas fazem o exame, contra 54% a 56% das mulheres pretas e pardas, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde. Distância dos centros de tratamento, renda, escolaridade e tempo de espera podem dificultar o cuidado. Relatos reunidos pelo Inca também apontam discriminação em consultas.

Há diferenças biológicas entre os grupos, mas elas não explicam sozinhas a desigualdade. Mulheres negras têm maior frequência do subtipo triplo-negativo, que cresce mais rapidamente e não responde à terapia hormonal. Em um estudo-piloto do Inca, esse tipo de tumor foi identificado em cerca de 20% das mulheres pretas e pardas, ante 10% das brancas. Uma análise de 18 estudos, publicada no Journal of Clinical Oncology, constatou maior mortalidade entre mulheres negras em todos os tipos de câncer de mama, inclusive os de melhor prognóstico.

A recomendação do Inca é ampliar o acesso ao rastreamento e ao tratamento, com busca ativa em áreas de baixa cobertura e acompanhamento das pacientes. A legislação garante início do tratamento no SUS em até 60 dias após o diagnóstico. A orientação de rastreamento é fazer mamografia a cada dois anos, dos 50 aos 74 anos; o exame também é garantido a partir dos 40 anos. Nódulo, retração da pele ou secreção no mamilo devem ser avaliados por um profissional de saúde em qualquer idade.

Fontes: Estadão

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