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Segunda-feira, 19 de outubro de 2026

SUS prepara oferta de teste genético para câncer de mama

A testagem de BRCA1 e BRCA2 deve ser gratuita até 9 de novembro, mas será indicada conforme o histórico clínico e familiar de cada paciente.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Médica conversa com uma paciente sobre histórico familiar em consultório. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Médica conversa com uma paciente sobre histórico familiar em consultório.
Resumo em 30 segundos

O teste genético que procura alterações hereditárias nos genes BRCA1 e BRCA2 foi incluído no SUS, com prazo até 9 de novembro para começar a ser oferecido. A indicação depende de avaliação médica e pode considerar idade ao diagnóstico, tipo de tumor e histórico de câncer na família. O resultado pode orientar tratamento, acompanhamento e prevenção.

O teste genético para identificar alterações hereditárias nos genes BRCA1 e BRCA2 pode ser indicado a mulheres com câncer de mama ou histórico familiar da doença. O exame, que custa de R$ 1.000 a R$ 3.000 na rede privada, foi incluído no Sistema Único de Saúde (SUS) por uma portaria publicada em maio, e o governo tem até 9 de novembro para disponibilizá-lo gratuitamente.

A indicação depende da história clínica e familiar, e não é recomendada automaticamente para todas as mulheres. Entre as situações que podem justificar a avaliação estão o diagnóstico em idade jovem, especialmente antes dos 35 anos, câncer de mama triplo-negativo, tumores nas duas mamas e a combinação de câncer de mama e de ovário na mesma pessoa. A doença em homens também pode motivar a investigação.

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) inclui entre os critérios o diagnóstico de câncer de mama antes dos 50 anos, casos de câncer de ovário na família e parentes com uma alteração genética hereditária já identificada. A avaliação pode ser útil mesmo para pacientes sem histórico familiar expressivo, pois o resultado pode influenciar escolhas de tratamento e prevenção de novos tumores.

Quando há vários casos de câncer na família, a testagem costuma começar por uma mulher que tenha ou tenha tido a doença. Um resultado sem alteração em alguém que nunca teve câncer não exclui a possibilidade de outro parente ter herdado uma mutação. A análise do histórico deve incluir tanto o lado materno quanto o paterno, porque alterações podem ser transmitidas por qualquer um dos pais.

BRCA1 e BRCA2 são os genes mais conhecidos ligados ao risco hereditário de câncer de mama e ovário, mas não são os únicos. Por isso, dependendo do caso, o médico pode recomendar uma investigação genética mais ampla. O sequenciamento de nova geração (NGS), citado pelo Ministério da Saúde, analisa material genético para procurar alterações nos genes avaliados.

A pasta informou que prepara a oferta do exame no SUS com a definição dos critérios de indicação, do fluxo para acesso das pacientes e da organização dos serviços de atendimento e dos laboratórios. A implementação também envolve a estruturação de uma linha de cuidado, que deve orientar como o teste será incorporado ao acompanhamento das pacientes.

Enquanto o acesso nacional é organizado, a oferta pública varia conforme a legislação local. Minas Gerais, Goiás e o Distrito Federal já têm leis e disponibilizam o serviço, segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). No Rio de Janeiro, uma lei foi sancionada, mas o exame ainda não pode ser feito pela rede pública.

Se o teste encontra uma alteração associada a risco elevado, a equipe médica pode ajustar o acompanhamento. Conforme o caso, podem ser considerados exames mais frequentes, medicamentos para reduzir a probabilidade de desenvolver câncer ou cirurgias preventivas. A decisão depende da avaliação individual e deve ser discutida com profissionais de saúde.

A ausência de indicação para o teste não significa que a mulher deva deixar de fazer acompanhamento. Informar ao médico quais parentes tiveram câncer, o grau de parentesco e a idade em que receberam o diagnóstico ajuda a estimar o risco e definir quando começar o rastreamento. Para algumas mulheres, além da mamografia, pode ser indicada ressonância magnética das mamas, com frequência ajustada ao risco.

Nódulo, alteração na pele da mama ou secreção pelo mamilo são sinais que devem ser avaliados por um profissional de saúde, sem esperar a consulta de rotina. Manter peso saudável, praticar atividade física e evitar álcool e cigarro também integram as recomendações de prevenção.

Para entender

BRCA1 e BRCA2
São genes que participam de mecanismos de reparo do DNA. Algumas alterações hereditárias nesses genes estão associadas a maior risco de certos tipos de câncer, incluindo os de mama e ovário. A presença de uma alteração não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá a doença.

Fontes: Folha de S.Paulo

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