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Terça-feira, 20 de outubro de 2026

Anvisa autoriza Emrelis para câncer de pulmão avançado

A terapia da AbbVie é indicada a adultos com tumor que apresenta alta expressão de c-Met e já receberam tratamento; venda depende da definição de preço.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Equipamento de infusão em uma sala de tratamento oncológico, com microscópio e lâmina ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Equipamento de infusão em uma sala de tratamento oncológico, com microscópio e lâmina ao fundo.
Resumo em 30 segundos

A Anvisa autorizou o Emrelis, medicamento da AbbVie para adultos com câncer de pulmão de não pequenas células avançado ou metastático e alta expressão de c-Met. A terapia é aplicada por infusão a cada duas semanas. Para chegar ao mercado, ainda precisa ter seus preços máximos definidos pela CMED.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na segunda-feira (19) o Emrelis (telisotuzumabe vedotina), medicamento da AbbVie para adultos com câncer de pulmão de não pequenas células avançado ou metastático. A indicação é restrita a pacientes cujos tumores apresentam alta expressão da proteína c-Met e que já receberam tratamento contra a doença. O Brasil é o segundo país a autorizar a terapia, depois dos Estados Unidos.

A aprovação foi publicada em resolução no Diário Oficial da União. Antes de chegar ao mercado brasileiro, porém, o medicamento ainda precisa passar pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), responsável por estabelecer os preços máximos. Não há previsão para a conclusão dessa etapa.

O Emrelis é uma terapia-alvo que associa um anticorpo a uma substância citotóxica, capaz de destruir células. O anticorpo reconhece a proteína c-Met na superfície das células tumorais e conduz o composto até elas, onde a carga é liberada. O tratamento é aplicado por infusão intravenosa a cada duas semanas.

A terapia não é indicada para todos os pacientes com câncer de pulmão: a alta expressão de c-Met precisa ser confirmada em uma amostra do tumor por exame específico. A aprovação teve como base um estudo clínico de fase 2, que avaliou eficácia e segurança em pacientes tratados anteriormente. Nesse estudo, 34,5% dos participantes do grupo com alta expressão da proteína tiveram redução mensurável do tumor; a duração mediana da resposta foi de 7,2 meses, conforme atualização dos resultados publicada neste ano.

Estudos de fase 2 investigam sinais de eficácia e ampliam a avaliação da segurança, mas esses resultados não demonstram, por si só, que o remédio seja superior a outras opções ou que funcione para todos. A Anvisa condicionou a autorização a um termo de compromisso para que a fabricante apresente dados complementares.

Entre os efeitos adversos observados estão neuropatia periférica, que pode alterar a sensibilidade, fadiga e inchaço. Também houve registros de inflamação pulmonar, condição que requer acompanhamento durante o tratamento.

O câncer de pulmão de não pequenas células é o tipo mais comum da doença. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 35.380 novos casos anuais no Brasil entre 2026 e 2028: 18.730 entre homens e 16.650 entre mulheres. Em 2024, a doença causou 32.555 mortes no país, segundo o Atlas de Mortalidade por Câncer do instituto. O tabagismo é o principal fator de risco; poluição do ar e exposição a certas substâncias no ambiente de trabalho também estão associadas à doença.

Para entender

c-Met
A c-Met é uma proteína encontrada na superfície de células. No caso do Emrelis, a indicação depende de confirmar alta expressão dessa proteína no tumor por meio de exame específico.

Fontes: Folha de S.Paulo

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