Inadimplência das famílias recua em outubro, aponta pesquisa da CNC
A Peic mostra que 29,3% das famílias endividadas tinham contas atrasadas; entre as de menor renda, a inadimplência subiu para 38,6%.
Resumo em 30 segundos
A parcela de famílias endividadas caiu de 81,7% para 81,6% entre setembro e outubro, enquanto a proporção de endividados com contas atrasadas recuou de 29,6% para 29,3%. A CNC avalia que os indicadores seguem em níveis historicamente elevados. Entre famílias com renda de até três salários mínimos, a inadimplência aumentou para 38,6%.
A inadimplência e o endividamento das famílias brasileiras recuaram em outubro, mas permaneceram em níveis elevados, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta quinta-feira pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A parcela de famílias endividadas caiu de 81,7% em setembro para 81,6% em outubro; no mesmo período, a proporção de endividados com contas atrasadas passou de 29,6% para 29,3%.
O percentual de famílias endividadas que disseram não ter condições de pagar as dívidas em atraso também diminuiu, de 12,5% para 12,2%. Os três indicadores, porém, seguem acima de oito em cada dez famílias no caso do endividamento e mostram uma redução pequena na comparação mensal. Em outubro de 2025, 79,5% das famílias estavam endividadas, 30,5% dos endividados tinham atrasos e 13,2% não conseguiam quitar as dívidas.
A CNC avalia que os dados apontam estabilidade em patamares historicamente altos, e não permitem concluir que começou uma tendência de queda. O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, afirmou que a oscilação limitada reflete um orçamento doméstico ainda comprimido e com pouco espaço para estimular o consumo.
O economista-chefe da entidade, Fabio Bentes, disse que o banimento das apostas online, conhecidas como bets, pode ter liberado recursos para o pagamento de parcelas atrasadas. “A taxa Selic [taxa básica de juros que norteia juros de mercado] ainda está mais alta do que deveria, o preço do crédito segue caro, mas quando uma fonte de gastos some repentinamente, como foi com o banimento das 'bets', naturalmente sobra mais dinheiro no bolso das famílias”, afirmou. Ele acrescentou que o dinheiro também pode ser direcionado ao consumo.
O tempo médio de atraso das dívidas recuou de 65,3 dias em setembro para 65,1 dias em outubro. Ainda assim, 48,8% dos débitos relatados por consumidores estavam atrasados havia mais de 90 dias. Além disso, 19,3% das famílias comprometiam mais da metade da renda mensal com o pagamento de dívidas.
A situação foi mais difícil entre as famílias de menor renda. No grupo com ganhos de até três salários mínimos por mês, a proporção de endividados inadimplentes subiu de 38,5% para 38,6% entre setembro e outubro. Nesse segmento, 18,3% das famílias disseram não ter condições de pagar os débitos atrasados, acima da média de 12,2% registrada entre todas as faixas de renda.