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Quarta-feira, 21 de outubro de 2026

IBGE retira referência a drogas de nota sobre atualização do PIB

O instituto não confirmou se a venda de drogas ilícitas entrará no cálculo; os primeiros resultados da nova série estão previstos para 2028.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Pesquisador analisa documentos e tabelas econômicas em um escritório de estatística. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Pesquisador analisa documentos e tabelas econômicas em um escritório de estatística.
Resumo em 30 segundos

O IBGE retirou de uma nota metodológica a referência à possível estimativa da comercialização de drogas no PIB. O órgão ainda não esclareceu se atividades ilícitas serão incluídas na nova série, cujos primeiros resultados devem sair em 2028. A atualização segue em andamento, e novas notas sobre temas específicos serão divulgadas.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) retirou de uma nota metodológica sobre a atualização das Contas Nacionais a referência à possível estimativa da comercialização de drogas no Produto Interno Bruto (PIB). O órgão ainda não confirmou se atividades ilícitas serão incluídas na nova série, cujos primeiros resultados estão previstos para 2028.

A nota divulgada em 11 de setembro de 2026 substituiu uma versão publicada em 8 de outubro de 2025. O texto anterior citava a estimativa da venda de drogas entre as mudanças consideradas; o documento mais recente não menciona diretamente o tema. O IBGE afirmou que notas metodológicas podem receber novas versões conforme comentários externos, alterações de cronograma e questões ligadas aos métodos e às bases de dados.

Em esclarecimento publicado em setembro, o instituto disse que referências internacionais orientam a medição de toda atividade econômica, inclusive informal ou ilegal, para calcular a renda e outros componentes da economia. O comunicado, porém, não respondeu se a venda de drogas será contabilizada no PIB brasileiro.

O IBGE citou o Sistema de Contas Nacionais (SNA), da Organização das Nações Unidas, e recomendações do Eurostat, órgão estatístico da União Europeia. Na União Europeia, a inclusão de drogas ilícitas nas Contas Nacionais tornou-se obrigatória em meados da década passada. O Reino Unido adota esse procedimento desde 2014, assim como França, Alemanha, Suécia, Hungria e outros países do bloco.

O PIB mede o desempenho da economia e reúne estimativas sobre a produção, a renda e outros componentes da atividade econômica. A revisão das Contas Nacionais busca atualizar a série estatística para refletir transformações ocorridas ao longo do tempo. Segundo o IBGE, a discussão sobre a possível mensuração de drogas no Brasil começou em 2019, e um primeiro teste metodológico foi feito em 2021.

Especialistas ouvidos sobre o tema afirmam que estimar atividades ilícitas pode ajudar a dimensionar a economia e subsidiar políticas públicas, inclusive de combate a ilegalidades. O ex-presidente do IBGE Roberto Olinto disse que um cálculo exigiria combinar fontes diferentes, como registros administrativos da Polícia Federal e da Receita Federal e dados sobre apreensões de drogas. Ele afirmou que as Contas Nacionais procuram mapear atividades econômicas independentemente de sua natureza.

Rodolpho Sartori, economista da consultoria Buysidebrazil, avaliou que mensurar operações ilícitas é adequado do ponto de vista estatístico. “Não dá para só excluir essas atividades. Ilegalidade não é a mesma coisa que ausência de atividade econômica ou ausência de circulação [de recursos].” Para ele, o IBGE deveria explicar com mais clareza como conduz a revisão, a fim de reduzir dúvidas e incertezas.

A eventual inclusão de uma estimativa não significa que a atividade se torne legal ou que o instituto esteja autorizando sua prática. A contabilidade econômica procura medir a movimentação existente, inclusive quando ocorre fora da lei; a estimativa, por si só, não altera as regras penais nem transforma a comercialização de drogas em atividade permitida.

A atualização da série do PIB ainda está em andamento. O IBGE informou que novas notas metodológicas serão divulgadas nos próximos meses, com detalhes sobre temas específicos, como o tratamento de dados de instituições sem fins lucrativos e de atividades financeiras. O instituto também prevê seminários para discutir as mudanças nas Contas Nacionais.

Fontes: Folha de S.Paulo

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