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Terça-feira, 13 de outubro de 2026

Flávio Bolsonaro supera Jair em votos em todas as faixas de renda

No primeiro turno da eleição 2026, Lula mantém vantagem entre os eleitores de menor renda, enquanto Flávio lidera acima de cerca de 1,6 salário mínimo.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Eleitores genéricos deixam uma seção eleitoral após votar. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Eleitores genéricos deixam uma seção eleitoral após votar.
Resumo em 30 segundos

A análise associa resultados do primeiro turno de 2026 à renda média dos setores censitários. Flávio Bolsonaro supera o desempenho de Jair Bolsonaro em todas as faixas, enquanto Lula recua em quase todos os grupos ante 2022 e continua à frente entre os mais pobres. Os padrões variam entre estados e conforme a forma de agrupar a população.

Uma análise do primeiro turno da eleição presidencial de 2026 indica que Flávio Bolsonaro (PL) obteve mais votos do que Jair Bolsonaro em todas as faixas de renda, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, recuou em quase todos os grupos em relação a 2022. Lula ainda lidera entre os eleitores de menor renda; Flávio tem vantagem nos segmentos acima de cerca de 1,6 salário mínimo por responsável pelo domicílio.

O levantamento cruzou os votos para presidente nos locais de votação com a renda média dos setores censitários, unidades territoriais usadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A análise usou dados do Censo de 2022 e resultados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Como os locais foram associados aos setores pela proximidade, a votação de cada área é uma estimativa, não um resultado exato dos moradores daquele lugar.

Na divisão em cem grupos de renda, Lula alcança sua maior votação em setores cuja renda média é de 0,7 salário mínimo, equivalente a R$ 1,1 mil nos valores informados na análise. Ele recebe 76% dos votos nesse grupo. A maior vantagem de Flávio aparece entre setores com média de 2,9 salários mínimos, ou R$ 4,7 mil, onde o candidato do PL obtém 56%.

No grupo de maior renda, com média de 16,2 salários mínimos — cerca de R$ 26,2 mil —, Flávio soma 50%, e Lula, 39%. A análise aponta uma fronteira aproximada entre os candidatos: Lula vence entre os mais pobres, com margem mais ampla até um salário mínimo e em redução até 1,6 salário mínimo. Flávio fica à frente nos grupos acima desse patamar, até 16,3 salários mínimos.

O resultado também muda conforme o recorte usado. Em uma classificação por faixas de consumo, que reúne áreas maiores e considera a renda familiar total, Lula lidera nas classes E e D, com 76% e 68%, respectivamente. Flávio aparece à frente na classe C, com 52%, e nas classes B e A, com 53% e 50%. A classe C concentra 78% da população nesse método, o que pode ocultar diferenças entre famílias de rendas distintas.

Na comparação com o primeiro turno de 2022, Lula perdeu apoio sobretudo na classe C, onde caiu 5,1 pontos percentuais. As quedas foram de 3,9 pontos na classe D e 3,2 na E. Em contrapartida, avançou 0,4 ponto na B e 1,6 ponto na A.

Flávio ampliou a votação do PL em todas as classes em relação ao desempenho de Jair Bolsonaro em 2022. O crescimento foi de 4,9 pontos na classe C, 4,5 na D e 4,3 na E. Assim, o ganho também alcançou eleitores de menor renda, embora Lula mantenha vantagem nesses segmentos.

A relação entre renda e voto não é igual em todo o país. Em Minas Gerais, o padrão se aproxima do resultado nacional. Na Bahia, Lula vence em todas as faixas, ainda que sua margem diminua conforme a renda aumenta. No Paraná, Flávio lidera em todos os grupos, com diferença menor entre os mais pobres e vantagem maior nos setores de renda alta.

O economista Flávio Ataliba afirmou que, em um estudo sobre os estados, a associação entre renda e voto chega perto de 70%. Quando o Nordeste é retirado da amostra, porém, essa relação se torna praticamente insignificante, segundo ele. Ataliba citou Acre e Roraima, estados do Norte com votação expressiva em Flávio e indicadores de renda e pobreza semelhantes aos de estados nordestinos. Para o pesquisador, fatores históricos, regionais e institucionais também ajudam a explicar as escolhas eleitorais.

Marcelo Neri, pesquisador da FGV Social, relacionou a insatisfação de parte da classe média a dificuldades de consumo, endividamento e inadimplência, apesar da melhora de indicadores de trabalho e renda. Ele afirmou que a renda média do trabalho cresceu 26% em termos reais, mas que muitas famílias continuam endividadas. Neri também apontou que redes sociais, influenciadores e novas aspirações de consumo podem influenciar o comportamento eleitoral.

A análise organizou os setores censitários por renda e comparou os percentuais médios de votos válidos em cada grupo. O Censo mede, nesse recorte, o rendimento mensal declarado pelo responsável pelo domicílio, não a renda individual de cada eleitor. Os pesquisadores testaram outras quatro medidas de renda e encontraram resultados semelhantes, com a maior perda de Lula concentrada nas áreas de renda média-baixa.

O voto por renda é uma comparação estatística entre áreas, não uma regra que determine como cada pessoa vota. O estudo descreve padrões territoriais e não permite concluir que todos os moradores de uma faixa tenham a mesma preferência. A diferença entre o recorte por setores e a classificação por consumo também mostra como a forma de agrupar a população pode alterar a leitura das disputas.

Para entender

Setor censitário
Unidade territorial usada pelo IBGE para organizar informações do Censo. Pode corresponder a um quarteirão, uma vizinhança ou um condomínio, conforme a área. A análise relaciona locais de votação próximos a esses setores, por isso seus percentuais representam estimativas territoriais, não o voto individual de cada morador.

Fontes: Folha de S.Paulo, Valor Econômico, Gazeta do Povo

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