Hugo Motta e Davi Alcolumbre defendem pacificação após reeleição
Após Lula vencer Flávio Bolsonaro com 51,79% dos votos, os chefes da Câmara e do Senado pediram diálogo e reconhecimento do resultado das urnas.
Resumo em 30 segundos
Hugo Motta e Davi Alcolumbre reconheceram a reeleição de Lula e defenderam pacificação política e diálogo entre os Poderes. O presidente do Senado disse que o Congresso deve responder às demandas da população. Lula afirmou que precisará negociar com um Legislativo mais conservador; as eleições para comandar Câmara e Senado estão previstas para fevereiro.
Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), defenderam a pacificação política e o diálogo entre os Poderes após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), neste domingo (25). Em pronunciamento em Brasília, os dois reconheceram o resultado das urnas e disseram que o Congresso deve buscar consensos durante o novo mandato.
Lula venceu o segundo turno com 51,79% dos votos, contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A disputa assegurou ao petista um quarto mandato. Motta afirmou que o resultado deve ser respeitado e desejou “serenidade e equilíbrio” ao presidente na condução do país.
“A democracia é soberana. O povo é soberano e, através das urnas, fez a sua escolha”, declarou Motta. Ele também disse que pretende manter uma atuação de moderação e harmonia entre os Poderes, com diálogo para viabilizar projetos considerados prioritários.
Alcolumbre afirmou que ele e Motta telefonaram para Lula e para o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) após a confirmação do resultado, para cumprimentá-los e desejar sucesso no novo mandato. O presidente do Senado também parabenizou Flávio pela participação na disputa e ressaltou a apresentação de diferentes propostas durante a campanha.
Ao defender a legitimidade da eleição, Alcolumbre destacou as urnas eletrônicas, que completam 30 anos, e disse que o Parlamento terá de responder às demandas apresentadas pela população. “O presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva, contará com um Congresso altivo, voltado à pacificação”, afirmou.
O senador disse ainda que a divisão política prejudica a população e as instituições. “O presidente eleito tem que governar para os 215 milhões de brasileiros que vivem no Brasil e que precisam das respostas do Estado”, declarou.
No primeiro discurso após a vitória, Lula reconheceu que poderá enfrentar dificuldades para aprovar propostas porque o Congresso eleito é mais conservador. “Eu não escolhi o Congresso. Foi o povo que escolheu. E é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas”, disse.
A relação com Motta e Alcolumbre deve ser importante para a articulação do governo no Legislativo. A próxima legislatura começa no ano que vem, e a eleição para as presidências das duas Casas está prevista para fevereiro. A recondução de ambos é considerada por aliados de Lula uma forma de manter canais de negociação, mas os resultados não estão definidos: as votações são secretas, e há movimentos de oposição por candidaturas próprias.
O cenário é especialmente disputado no Senado, onde o PL terá 28 parlamentares e já definiu que lançará um candidato para enfrentar Alcolumbre. Na Câmara, Motta recebeu indicativos de apoio de 13 partidos, mas a votação secreta também impede garantir que essas bancadas votarão em seu favor.