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Terça-feira, 3 de novembro de 2026

Homens jovens dos EUA desaprovam Trump antes das eleições de meio de mandato

Pesquisas Times/Siena apontam que 70% dos homens de 18 a 29 anos reprovam o presidente, mas a insatisfação não garante votos para os democratas.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Jovem americano pensativo diante de um local de votação, com uma bandeira dos Estados Unidos ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Jovem americano pensativo diante de um local de votação, com uma bandeira dos Estados Unidos ao fundo.
Resumo em 30 segundos

Sete em cada dez homens americanos de 18 a 29 anos desaprovam o desempenho de Donald Trump, segundo a média de três pesquisas nacionais. A insatisfação com a economia e a guerra contra o Irã, porém, não se traduz automaticamente em apoio aos democratas: há jovens que pretendem votar em republicanos, em democratas ou não comparecer às urnas.

Sete em cada dez homens americanos de 18 a 29 anos desaprovam o desempenho do presidente Donald Trump, segundo a média das três pesquisas nacionais mais recentes do New York Times e da Universidade de Siena. O afastamento, às vésperas das eleições de meio de mandato, não significa necessariamente que esses eleitores votarão nos democratas: alguns ainda apoiam candidatos republicanos, enquanto outros dizem que podem não ir às urnas.

A análise reuniu respostas de quase 500 homens jovens e acompanha uma tendência apontada por outros levantamentos: parte dos eleitores que apoiou Trump em 2024 está insatisfeita com o governo. As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos ocorrem no meio do mandato presidencial e renovam cargos legislativos e estaduais; neste ciclo, os entrevistados mencionaram sobretudo a economia e a guerra contra o Irã como motivos de descontentamento.

A reprovação ao presidente não se converteu de forma uniforme em rejeição ao Partido Republicano. Alguns jovens dizem que votarão nos candidatos republicanos de seus estados porque não responsabilizam esses políticos pelas decisões de Trump. Outros não decidiram em quem votar ou afirmam que ficarão fora da disputa.

Matthew Michels, engenheiro de 26 anos de Grand Rapids, no Michigan, disse que não pretende votar. Ele explicou que a decisão é um protesto contra o governo e contra o que considera falta de resistência dos republicanos tradicionais a algumas ações do presidente. Michels afirmou que não votaria novamente em Trump se pudesse voltar atrás.

O engenheiro disse que a política mais rígida contra a imigração ampliou as oportunidades de emprego em sua área, mas criticou a condução da política externa pelo presidente. Ele também afirmou estar preocupado com os preços da gasolina e insatisfeito com a guerra contra o Irã.

Ranger Irwin, de 22 anos, funcionário de uma loja de pneus em North Las Vegas, Nevada, afirmou que Trump não cumpriu promessas de evitar guerras e que o custo de vida aumentou. Apesar das críticas, Irwin disse que votaria novamente no presidente e pretende apoiar candidatos republicanos ao Congresso e ao governo de Nevada.

Os dados sugerem que outros jovens estenderam a insatisfação ao partido. Nas pesquisas, os homens de 18 a 29 anos preferiram o candidato democrata à Câmara dos Representantes em seus distritos por 13 pontos percentuais. Quarenta e oito por cento disseram se identificar com os democratas ou se inclinar para o partido, ante 42% que indicaram preferência pelos republicanos.

A distância entre intenção e comparecimento às urnas é uma questão central. Charlie Sabgir, diretor do Young Men Research Project, afirmou que homens jovens tendem a votar menos do que grupos com maior participação eleitoral. Por isso, a queda de popularidade de Trump entre eles não garante que o resultado se traduza em votos para os democratas.

A economia aparece como preocupação comum. Nas pesquisas Times/Siena, 90% dos homens jovens avaliaram a situação econômica como ruim ou, no máximo, razoável. Uma pesquisa separada, feita pela Third Way e pelo American Institute for Boys and Men, também encontrou maioria dizendo que metas como conseguir um emprego bem remunerado, comprar uma casa, sustentar uma família e pagar despesas médicas parecem fora de alcance.

Logan Fischer, técnico de engenharia de 23 anos em Kansas City, no Missouri, atribuiu ao governo Trump a melhora de suas oportunidades de trabalho. Ainda assim, disse que comprar uma casa e criar uma família continua distante, apesar de considerar que ganha bem. Para Fischer, o salário atual não oferece o mesmo poder de compra que teria uma década atrás.

Malachi Bohlmann, professor de 25 anos em Phoenix e veterano da Força Aérea, votou em Trump por acreditar que o presidente seria firme no controle das fronteiras e na política externa. Agora, disse estar insatisfeito com as táticas do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) e com os ataques ao Irã. Bohlmann afirmou que pretendia votar, mas ainda não havia decidido quais candidatos apoiaria.

A insatisfação também não significa que os jovens se sintam representados pelos democratas. Três quartos das mulheres jovens se identificam com o partido ou demonstram inclinação por ele, uma proporção 27 pontos percentuais superior à dos homens jovens. O pesquisador Daniel Cox, do American Enterprise Institute, disse que alguns homens podem se interessar por propostas econômicas associadas aos democratas, mas duvidam de que sejam bem recebidos pela coalizão do partido.

O quadro desafia a interpretação de que o voto em Trump em 2024 refletiu apenas uma guinada conservadora ou uma reação a mudanças culturais. A cientista política Melissa Deckman afirmou que a economia foi uma questão fundamental. Jovens homens também relatam frustração com a dificuldade de alcançar objetivos que associam à vida adulta, como emprego estável, moradia e sustento de uma família.

Segundo Sabgir, a desconfiança em instituições e políticos profissionais ajuda a explicar o comportamento do grupo. Entrevistados demonstraram interesse por um discurso populista na economia, mas também resistência a pautas progressistas que associam ao Partido Democrata. Assim, o afastamento de Trump pode produzir escolhas diferentes — apoio a republicanos locais, voto em democratas ou abstenção — em vez de uma migração uniforme entre os partidos.

Para entender

Eleições de meio de mandato
Nos Estados Unidos, são realizadas no meio do mandato presidencial. Os eleitores escolhem integrantes do Congresso e disputam cargos estaduais e locais; o resultado pode alterar o equilíbrio de forças legislativas durante o restante da presidência.
Pesquisas Times/Siena
Levantamentos de opinião pública realizados pelo jornal The New York Times em parceria com o Siena College. As pesquisas consultam eleitores sobre temas políticos e suas preferências, mas seus resultados são estimativas e não equivalem ao resultado de uma eleição.

Fontes: O Globo

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