Pular para o conteúdo
Segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Trump perde apoio entre latinos antes de eleição legislativa nos EUA

Pesquisas apontam 64% das intenções de voto latino para os democratas e 29% para os republicanos; a votação ocorre nesta terça-feira, 3.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Eleitores latinos entram em um local de votação nos Estados Unidos. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Eleitores latinos entram em um local de votação nos Estados Unidos.
Resumo em 30 segundos

Pesquisas do último mês indicam vantagem de 35 pontos dos democratas entre prováveis eleitores latinos nos EUA. O apoio a Trump também recuou em relação a 2024, enquanto economia, saúde e imigração aparecem entre os temas que pesam na escolha. A eleição de terça-feira renova o Congresso e pode mudar as maiorias nas duas Casas.

O apoio dos eleitores latinos a Donald Trump e aos republicanos caiu antes das eleições legislativas de terça-feira (3), nos Estados Unidos. Pesquisas do último mês indicam que os democratas têm 64% das intenções de voto entre prováveis eleitores latinos, contra 29% dos republicanos — uma diferença de 35 pontos percentuais.

O recuo ocorre depois de Trump ampliar o apoio entre esse eleitorado nas eleições presidenciais: ele obteve 48% dos votos latinos em 2024, ante 36% em 2020. Historicamente mais alinhados aos democratas, os latinos passaram a ser descritos como um grupo decisivo e sujeito a mudanças de preferência, semelhante aos chamados estados-pêndulo.

A votação de terça-feira renova as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e cerca de um terço das 100 vagas do Senado. Os republicanos têm maioria estreita nas duas Casas: ocupam 218 cadeiras na Câmara, contra 214 dos democratas, e 53 no Senado, ante 45 dos democratas e duas de senadores independentes. O resultado pode alterar a capacidade de Trump de avançar sua agenda no Congresso.

O Pew Research Center estima que 39 milhões de latinos estejam aptos a votar nos Estados Unidos, o equivalente a 16% do eleitorado. O voto não é obrigatório. Cerca de um quarto desse grupo nasceu em países latino-americanos e obteve cidadania americana; os outros três quartos nasceram nos Estados Unidos e são filhos de latinos, segundo Mark Hugo Lopez, diretor de raça e etnia do instituto.

Os eleitores latinos tendem a ser mais jovens que o conjunto do eleitorado: aproximadamente 30% têm de 18 a 29 anos, ante 25% entre os eleitores em geral. Mais da metade tem origem mexicana. Brasileiros não entram nessa classificação nos dados censitários usados nos Estados Unidos, que associam o grupo à origem hispânica; por isso, espanhóis podem ser classificados como latinos ou hispanos, mas brasileiros não.

A avaliação de Trump também caiu entre os latinos. Uma pesquisa recente do Pew aponta que 24% aprovam o presidente, enquanto sua aprovação entre a população em geral fica em torno de 32%. Entre latinos que votaram nele em 2024, o índice é de 57%, mais de 30 pontos abaixo do registrado logo após o início do segundo mandato, em janeiro de 2025.

O levantamento ouviu 5.000 americanos entre 28 de setembro e 4 de outubro. A economia foi apontada como fator importante na decisão de voto por 86% dos latinos ouvidos. Saúde (80%), educação (75%), futuro da democracia (69%) e imigração (64%) vieram em seguida. O custo de vida está em alta no país.

A imigração é um tema de disputa dentro da própria comunidade e entre os republicanos. Jaime Flórez, diretor de comunicação hispânica do Comitê Nacional Republicano, disse que o partido desconfia das pesquisas e considera que há uma campanha da imprensa contra Trump. Ele reconheceu a possibilidade de uma queda no apoio latino, mas afirmou que o partido não espera uma redução tão grande quanto a indicada pelos levantamentos.

Flórez também argumentou que a política migratória de Trump não afasta eleitores latinos, porque os que votam já estão regularizados e tenderiam a apoiar deportações. Nos Estados Unidos, porém, somente cidadãos podem votar: imigrantes sem situação regular e residentes permanentes com green card não têm direito ao voto. Lopez afirmou que dois terços dos eleitores latinos dizem que a imigração influencia sua escolha e destacou a preocupação de pessoas nascidas no país que têm pais imigrantes, inclusive em situação irregular.

A eleição também poderá mobilizar novos eleitores: cerca de 4 milhões de latinos completaram 18 anos e estão aptos a votar pela primeira vez. A participação deles nas urnas, contudo, ainda depende de comparecimento. A deputada republicana María Elvira Salazar, da Flórida, criticou em setembro a política migratória de Trump. Em vídeo, disse que os hispânicos que ajudaram a elegê-lo em 2024 “se sentem traídos hoje” e defendeu uma vida digna para os imigrantes, sem pedir anistia. Flórez afirmou que Salazar, que tenta a reeleição, fez o necessário para se comunicar com sua base.

Para entender

Eleições de meio de mandato
Nos Estados Unidos, as eleições de meio de mandato ocorrem no meio do período presidencial de quatro anos. Elas renovam toda a Câmara dos Representantes e parte do Senado, e podem alterar o equilíbrio de forças no Congresso.

Fontes: Folha de S.Paulo

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

Leia também