Gravatá-do-Caracol ganha ações de conservação em Canela
A bromélia ameaçada de extinção vive nas rochas da Cascata do Caracol; mudas foram cultivadas em Porto Alegre e três exemplares estão no parque.
Resumo em 30 segundos
A Dyckia irmgardiae, conhecida como gravatá-do-Caracol, é considerada ameaçada de extinção desde 2014. Durante a obra de um mirante, exemplares e sementes foram retirados da encosta com autorização ambiental e enviados ao Jardim Botânico de Porto Alegre, onde foram produzidas 12 mudas. No parque, três plantas foram transplantadas para um jardim rupestre.
Uma bromélia encontrada naturalmente nas rochas do paredão da Cascata do Caracol, em Canela, voltou a receber atenção em 2024, durante a construção de um novo mirante no parque. A Dyckia irmgardiae, conhecida como gravatá-do-Caracol, é considerada ameaçada de extinção desde 2014 e está sendo alvo de ações de conservação no Parque do Caracol e no Jardim Botânico de Porto Alegre.
A espécie foi catalogada oficialmente em 1966 e é única no mundo. Tem folhas rígidas e espinhosas e cresce em ambiente rochoso. Quando floresce, apresenta pétalas amarelo-alaranjadas. A identificação da planta e o registro de que ela está ameaçada foram feitos em pesquisa do engenheiro florestal Henrique Mallmann Büneker, divulgada em placa educativa no parque.
A obra do mirante levou à localização de bromélias na encosta da cascata. Com autorização da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), profissionais em rapel retiraram exemplares manualmente e encaminharam plantas e sementes ao Jardim Botânico de Porto Alegre, para conservação. O trabalho de cultivo produziu 12 mudas consideradas saudáveis e com variabilidade genética.
A remoção foi necessária para proteger os exemplares durante a construção, e a conservação fora do paredão permite manter a espécie e ampliar o número de mudas. A variabilidade genética é importante porque representa diferenças hereditárias entre plantas, relevantes para a manutenção de uma população capaz de se reproduzir e se adaptar. As mudas também podem servir de base para futuras ações de preservação.
No próprio parque, foi criado o Jardim Rupestre das Endêmicas, junto ao Mirante da Cascata. Concluído em abril deste ano, o espaço tem cerca de 60 metros quadrados e reproduz o ambiente rochoso em que essas plantas vivem. Três exemplares de Dyckia irmgardiae foram transplantados para o jardim, que também abriga a Dyckia nigrospinulata, outra bromélia rara e ameaçada de extinção.
A gerente-geral do Parque do Caracol, Sandra Ferraz, afirmou que a intenção é manter as plantas em condições próximas às de seu habitat natural. A idade exata dos exemplares do jardim não é conhecida; uma hipótese é que tenham mais de cinco anos, pois já floresceram.
Nos próximos meses, está previsto um levantamento na escarpa da Cascata do Caracol para contabilizar exemplares das duas espécies. A iniciativa deverá ajudar a dimensionar a presença das bromélias no local. O parque também tem aprovação do Estado para construir um berçário de plantas, previsto para o ano que vem, destinado ao desenvolvimento de mudas de diferentes espécies, como araucárias, lavandas e brincos-de-princesa.
A proposta é usar parte das plantas no paisagismo do parque e doar outras à comunidade. O espaço também deverá permitir que visitantes acompanhem o desenvolvimento das mudas. Além das ações de preservação, o parque mantém o Educa Caracol, programa de visitação gratuita para estudantes da rede pública gaúcha, com agendamento prévio e acompanhamento educativo sobre meio ambiente.