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Sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Mexilhão-dourado amplia presença na Amazônia e no São Francisco

Estudos registraram o molusco invasor em municípios do Pará e em São Francisco e São Romão, em Minas, antes do previsto por projeções científicas.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Mexilhões-dourados aderidos a rochas e raízes submersas em um rio. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Mexilhões-dourados aderidos a rochas e raízes submersas em um rio.
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Levantamentos identificaram o mexilhão-dourado em novos trechos da Amazônia e do rio São Francisco. Em Minas Gerais, pesquisadores encontraram 113 exemplares em São Francisco e São Romão, a cerca de mil quilômetros do registro anterior mais próximo na bacia. A expansão ocorreu antes do previsto por projeções científicas.

O mexilhão-dourado, molusco originário da Ásia e considerado uma espécie invasora, foi encontrado em novos trechos de rios brasileiros, incluindo áreas da Amazônia e do rio São Francisco. Estudos registraram a presença do animal em municípios do Pará e em São Francisco e São Romão, no norte de Minas Gerais, ampliando sua distribuição mais rápido do que estimavam previsões anteriores.

No São Francisco, pesquisadores da Universidade Estadual de Montes Claros identificaram 113 exemplares nos dois municípios mineiros. O registro, publicado em outubro de 2026 na revista científica CheckList, é o primeiro na região do Alto Médio São Francisco e fica a cerca de mil quilômetros do ponto de ocorrência anteriormente conhecido mais próximo, na área da barragem de Sobradinho, entre Bahia e Pernambuco. As coletas foram feitas entre julho de 2024 e abril de 2025, em 16 estações de quatro municípios.

Na Amazônia, levantamentos identificaram a espécie em municípios banhados pelo rio Tocantins, além de registros no rio Pará e na ilha de Marajó, incluindo Curralinho e Muaná. O primeiro registro amazônico ocorreu em outubro de 2023, no Tocantins. Em estudo publicado na revista Actapesca, pesquisadores examinaram 62 pontos em quatro expedições realizadas entre 5 e 29 de dezembro de 2025. O molusco foi encontrado em superfícies naturais, como rochas, raízes e troncos, e em objetos e estruturas submersos, entre eles redes de pesca, cabos e concreto.

A expansão surpreendeu porque projeções científicas anteriores indicavam que a invasão na Amazônia não começaria antes da década de 2030 e só se consolidaria na década de 2050. O mexilhão-dourado também foi registrado no rio São Francisco, onde a hipótese de pesquisadores é que pequenas embarcações tenham levado o animal entre trechos distantes. O transporte involuntário poderia ter permitido que ele superasse barreiras como a barragem de Sobradinho, mas essa explicação ainda não foi comprovada.

A espécie chegou à América do Sul em 1991, no estuário do rio da Prata, na Argentina, e entrou no Brasil no fim da década de 1990, associada à circulação de embarcações pela hidrovia Paraná-Paraguai. Suas larvas se deslocam pela água antes de se fixarem; os adultos aderem a superfícies rígidas por meio de estruturas chamadas bissos. Água transportada por embarcações, cascos, redes e equipamentos de pesca podem contribuir para a dispersão.

Colônias densas podem obstruir tubulações e sistemas de filtragem de usinas hidrelétricas, além de comprometer mecanismos de resfriamento. O impacto também pode atingir o abastecimento de água, a pesca, a aquicultura, a navegação e a biodiversidade aquática. Os gastos anuais do setor elétrico brasileiro com prevenção e controle são estimados em US$ 9,97 milhões.

A erradicação completa é considerada improvável com os métodos disponíveis. Entre as alternativas de controle estão raspagem, filtração, ultrassom, radiação ultravioleta e compostos químicos. Para reduzir o risco de novas introduções, pesquisadores defendem a desinfecção de embarcações e equipamentos de pesca antes de seu uso em outros corpos d’água, além de laudos que atestem a ausência de larvas em cargas de peixes jovens destinadas à piscicultura.

Fontes: O Globo, Gazeta do Povo

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