Governo Lula reúne até R$ 354 bilhões em medidas em 2026
Levantamentos usam critérios diferentes e incluem benefícios e incentivos anunciados no ano eleitoral, sem representar despesas já realizadas nem custos diretos de campanha.
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Dois levantamentos estimam entre R$ 298,4 bilhões e R$ 354 bilhões em benefícios, políticas e incentivos mobilizados pelo governo em 2026. Os valores consideram conjuntos distintos de medidas e não correspondem integralmente a gastos já realizados. A IFI calcula que as iniciativas equivalem a cerca de 2,2% do PIB projetado para o ano.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mobilizou entre R$ 298,4 bilhões e R$ 354 bilhões em benefícios, políticas e incentivos durante 2026, ano eleitoral, segundo dois levantamentos com critérios diferentes. Os valores reúnem medidas anunciadas pelo governo e não representam, integralmente, despesas já realizadas nem o custo direto da campanha presidencial.
A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, estimou em R$ 298,4 bilhões o volume relacionado às políticas e benefícios. Já o Gastômetro contabilizou R$ 354 bilhões ao reunir 46 medidas e incentivos. Como os levantamentos consideram conjuntos diferentes, os números não são diretamente comparáveis.
Entre as iniciativas citadas estão mudanças relacionadas à chamada “taxa das blusinhas”, propostas de gratuidade no transporte público, pagamento de bolsas mensais a universitários e medidas voltadas a microempreendedores individuais (MEIs). Em 21 de outubro, foi sancionada uma lei que autoriza, a partir de janeiro de 2027, o perdão de débitos tributários federais de MEIs. Na ocasião, o governo estimou em mais de R$ 18,7 bilhões o volume das dívidas abrangidas.
O tamanho do conjunto de políticas também foi comparado ao Produto Interno Bruto (PIB), indicador que mede o valor total de bens e serviços produzidos no país. Segundo a IFI, as medidas equivalem a cerca de 2,2% do PIB projetado para 2026. Em 2014, os desembolsos associados à tentativa de reeleição da então presidente Dilma Rousseff foram estimados em 3,1% do PIB, em estudo do FGV Ibre.
Alexandre Manoel, pesquisador do Ibre, afirmou que a disputa deste ano pode ser comparável à de 2014. Uma atualização detalhada sobre os custos fiscais das medidas de 2026, segundo ele, deve ser entregue ao próximo governo em meados de janeiro, para subsidiar propostas de ajuste.
O pesquisador também apontou que o impulso fiscal, medido pelo Monitor de Expansão Fiscal Ampliada (MEFA), chegou a 3,19% do PIB entre janeiro e setembro. No mesmo intervalo de 2022, o indicador foi de 1,34% do PIB. Segundo os dados citados, houve superávit primário no período de 2022 e déficit primário neste ano. O resultado primário corresponde à diferença entre receitas e despesas do governo, sem considerar os juros da dívida.
Alessandra Ribeiro, diretora de macroeconomia da Tendências Consultoria, disse que nem todos os custos previstos devem ser compensados e que o ajuste fiscal a partir de 2027 poderá exigir esforço maior. O Ministério da Fazenda afirmou que os valores anunciados não representam integralmente impacto adicional no Orçamento de 2027. A pasta informou que encaminhará ao Congresso os ajustes necessários e que parte das iniciativas ainda depende da definição de formato e custos; segundo o ministério, as medidas serão compatibilizadas com a meta de resultado primário e o arcabouço fiscal.