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Sábado, 31 de outubro de 2026

Gerrothorax maritimus revela como anfíbio viveu no mar

Fósseis de 237 milhões de anos encontrados na China indicam que o animal vivia no oceano; a descoberta mostra que existiu um anfíbio marinho.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Fóssil de anfíbio triássico preservado em rocha marinha, em um laboratório de paleontologia. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Fóssil de anfíbio triássico preservado em rocha marinha, em um laboratório de paleontologia.
Resumo em 30 segundos

Identificado em rochas marinhas da província chinesa de Guizhou, o Gerrothorax maritimus viveu há cerca de 237 milhões de anos e media ao menos 74 centímetros. Fósseis e análises químicas sustentam que habitava o oceano. Osteodermas e brânquias internas podem ter ajudado o anfíbio a lidar com a água salgada.

Paleontólogos identificaram na China o Gerrothorax maritimus, um anfíbio que vivia em ambiente marinho há cerca de 237 milhões de anos, durante o Triássico. Os fósseis foram encontrados na província de Guizhou, em rochas que correspondem ao antigo leito do mar, e indicam que o animal caçava próximo ao fundo.

A espécie media ao menos 74 centímetros de comprimento. Como a maior parte da cauda não foi preservada, não é possível determinar seu tamanho total. O G. maritimus pertencia ao grupo dos temnospôndilos, anfíbios primitivos que existiram antes da linhagem dos sapos, rãs, pererecas e salamandras atuais.

A conclusão de que o animal vivia no oceano se apoia em diferentes evidências. As rochas onde os fósseis apareceram têm características de fundos marinhos situados a pelo menos 30 quilômetros de terra firme. Nas mesmas camadas foram encontrados restos de ictiossauros, répteis exclusivamente marinhos, e os fósseis do anfíbio estão quase intactos, o que torna improvável que tenham sido carregados por um rio até o local.

A composição química dos fósseis também foi analisada. As proporções de variantes do estrôncio — elemento químico presente em rochas e organismos — são compatíveis com as dos mares do Triássico e diferentes das encontradas em ambientes terrestres ou de água doce daquela época. Em conjunto, esses dados sustentam que o G. maritimus não apenas chegou ao mar, mas vivia nele.

A descoberta chama atenção porque a maioria dos anfíbios enfrenta dificuldades para permanecer em água salgada. A pele desses animais costuma ser permeável, uma característica que ajuda a absorver água em ambientes doces, mas que pode levar à perda de umidade quando o corpo fica exposto à salinidade marinha. Eles também precisam eliminar o excesso de sal, tarefa que muitos peixes realizam com as brânquias.

Uma possível adaptação do G. maritimus estava em sua extensa cobertura de osteodermas, placas ou estruturas ósseas sob a pele. Elas se distribuíam pelo dorso, pelos membros e pelo ventre, formando uma espécie de couraça. Segundo a interpretação dos pesquisadores, essa proteção pode ter reduzido a perda de água corporal para o mar.

O animal também mantinha brânquias internas na fase adulta, o que pode ter ajudado a retirar o sal do organismo. Essas estruturas e os osteodermas já existiam em parentes da espécie que viviam em água doce. A hipótese apresentada pelos pesquisadores é que mudanças sobre características preexistentes permitiram a adaptação ao oceano.

A garganta do anfíbio oferece outra pista sobre seu modo de vida. A análise de sua estrutura óssea sugere que ele conseguia capturar presas por sucção, mecanismo usado por predadores aquáticos que permanecem no fundo à espera de uma oportunidade. Assim, o G. maritimus provavelmente se mantinha próximo ao leito marinho e sugava animais que se aproximavam.

A espécie representa uma exceção entre os anfíbios conhecidos, não uma característica comum do grupo. Alguns anfíbios atuais toleram contato breve com água salgada; a rã Fejervarya cancrivora, por exemplo, vive em manguezais do Sudeste Asiático e pode entrar no mar por períodos curtos. Isso é diferente de uma vida inteiramente marinha, como a atribuída ao fóssil triássico.

A descrição do Gerrothorax maritimus foi publicada na revista Nature Ecology & Evolution. O estudo foi conduzido por pesquisadores de instituições chinesas e dos Estados Unidos, coordenados por Da-yong Jiang, da Universidade de Pequim, e Ryosuke Motani, da Universidade da Califórnia em Davis.

Fontes: Folha de S.Paulo

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