Castelo de Roebuck revela vestígios medievais em prédio da UCD
O arqueólogo Tadhg O’Keeffe identificou paredes e outros elementos do início do século 13 escondidos sob o reboco do edifício, em Dublin.
Resumo em 30 segundos
Partes do Castelo de Roebuck, uma fortaleza normanda que se acreditava desaparecida, foram identificadas dentro de um edifício da University College Dublin. As reformas dos períodos georgiano e vitoriano podem ter preservado as estruturas ao construir ao redor delas. Se a datação for confirmada, o local será o edifício mais antigo de um campus universitário irlandês ainda de pé.
Arqueólogos identificaram partes do Castelo de Roebuck, uma fortaleza normanda do início do século 13, preservadas dentro do edifício atual da University College Dublin (UCD), na Irlanda. A descoberta foi feita pelo professor Tadhg O’Keeffe, especialista em arquitetura medieval da universidade, ao examinar elementos escondidos sob o reboco.
A construção fica em uma antiga rota de acesso à Dublin medieval. Embora sua aparência externa seja predominantemente vitoriana, paredes e outros componentes do castelo sobreviveram no interior. O pátio nos fundos do prédio também corresponde ao espaço do antigo pátio da fortaleza.
O’Keeffe afirmou que as reformas realizadas nos períodos georgiano e vitoriano ajudaram a preservar as estruturas: em vez de demolir o castelo, os responsáveis construíram ao redor dele. Segundo o pesquisador, as intervenções também foram limitadas em outras partes do terreno.
A pesquisa foi publicada na revista Archaeology Ireland. Se a datação for confirmada, o Castelo de Roebuck pode ser o edifício mais antigo ainda de pé em um campus universitário irlandês. As partes mais antigas da construção remontam ao começo do século 13, embora fontes históricas indiquem que ela talvez tenha sido erguida ainda dentro da memória de pessoas que viveram a invasão normanda da Irlanda, iniciada em 1169.
O castelo passou por mudanças durante a Idade Média e teve entre seus ocupantes um Lord High Chancellor, autoridade importante do reino da Irlanda. Uma tradição local também afirma que James II, rei deposto da Inglaterra e da Irlanda, teria ficado no local em 1689, após perder o trono. Na Escócia, ele era conhecido como James VII.
No século 13, a fortaleza já havia entrado em ruínas. Acreditava-se que suas estruturas tinham desaparecido por completo durante as transformações posteriores da propriedade. Uma pista de sua sobrevivência estava em desenhos e aquarelas feitos pelo artista Gabriel Beranger, que visitou as ruínas por volta de 1765. O’Keeffe disse que as imagens registraram detalhes úteis para compreender a história da construção.
A descoberta é relevante para a história de Dublin porque poucos castelos medievais sobreviveram na região sul da cidade. Muitos foram demolidos a partir do século 17, e suas pedras foram reaproveitadas em residências. Com a identificação dos vestígios no prédio da UCD, o Castelo de Roebuck volta a ser reconhecido como parte do patrimônio arquitetônico medieval da capital irlandesa.