IBGE inclui montanhas na nova classificação do relevo brasileiro
O mapa identifica montanhas em 20 estados e estabelece critérios como amplitude altimétrica superior a 300 metros; “depressões” passam a ser “superfícies rebaixadas”.
Resumo em 30 segundos
O IBGE incluiu oficialmente as montanhas no mapa nacional do relevo brasileiro, categoria identificada em 20 estados. Minas Gerais concentra 37,3% das áreas mapeadas. A atualização também troca “depressões” por “superfícies rebaixadas” e organiza o território em cinco macrocompartimentos, com critérios de forma, altitude e inclinação do terreno.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) incluiu, pela primeira vez, a categoria “montanhas” no mapa nacional do relevo brasileiro. A atualização, divulgada nesta quinta-feira, identifica essa formação em 20 estados e também substitui o termo “depressões” por “superfícies rebaixadas”.
Minas Gerais concentra 37,3% das montanhas identificadas no país. A Bahia aparece em seguida, com 15,8%, enquanto Rio de Janeiro e São Paulo respondem por 9% e 8,7%, respectivamente.
Para classificar uma área como montanhosa, o IBGE considera características do formato e da inclinação do terreno, além da diferença de altitude em relação ao entorno. O critério exige amplitude altimétrica superior a 300 metros e relevo predominantemente com topos aguçados ou com cristas e vertentes íngremes.
O mapa organiza o território brasileiro em cinco macrocompartimentos: montanhas, planaltos, superfícies rebaixadas, tabuleiros e planícies. Macrocompartimentos são grandes unidades de relevo definidas por características comuns da paisagem.
A mudança de “depressões” para “superfícies rebaixadas” busca destacar que essas áreas estão em posição topográfica inferior em relação às regiões vizinhas. Segundo o instituto, a palavra “depressão” também pode ser entendida como cavidade, cratera, afundamento ou terreno abaixo do nível ao redor, o que pode gerar ambiguidade. As denominações de planaltos, planícies e tabuleiros foram mantidas.
A classificação foi elaborada com base em critérios morfológicos — ligados à forma do terreno —, na amplitude altimétrica e na declividade. O trabalho reuniu cerca de 70 especialistas e contou com a participação do IBGE, do Serviço Geológico do Brasil (SGB), da União da Geomorfologia Brasileira (UGB) e de pesquisadores de universidades.
A inclusão das montanhas formaliza essa categoria na escala nacional do Mapa dos Macrocompartimentos de Relevo do Brasil. O IBGE afirma que a publicação apresenta critérios conceituais e metodológicos inéditos na cartografia temática institucional do órgão. O material é destinado a pesquisadores, profissionais de planejamento territorial e ambiental, gestores públicos, professores e estudantes, e busca ampliar o uso do Sistema Brasileiro de Classificação de Relevo.