Gen Z regelt reúne milhares em protestos na Alemanha
Os atos ocorreram em 34 cidades e defenderam mais recursos para a educação, medidas contra o custo de vida e oposição ao serviço militar obrigatório.
Resumo em 30 segundos
Manifestações convocadas pelo movimento Gen Z regelt ocorreram em 34 cidades alemãs neste sábado. Os participantes pediram mais investimentos em educação, medidas para aliviar o custo de vida e se opuseram ao serviço militar obrigatório. As estimativas de público divergiram: a polícia registrou 6 mil pessoas em três cidades, enquanto o movimento apontou cerca de 36 mil.
Milhares de pessoas participaram neste sábado (31) de manifestações em 34 cidades da Alemanha, convocadas pelo movimento “Gen Z regelt” (“A Geração Z assume o comando”, em alemão). Os atos defenderam mais investimentos em educação e medidas para aliviar o custo de vida, além de expressarem oposição ao serviço militar obrigatório no país.
Os organizadores estimavam inicialmente 182 mil participantes em todo o país. No entanto, registros policiais de Frankfurt, Munique e Berlim somaram 6 mil manifestantes, enquanto o site do movimento indicava cerca de 36 mil pessoas nessas cidades. Os protestos foram anunciados em locais como Berlim, Frankfurt e Munique.
A mobilização se insere em uma onda de manifestações lideradas por jovens que ocorre em diferentes pontos da Europa neste ano. Na Alemanha, os participantes apontam dificuldades provocadas pelo aumento das despesas e reivindicam melhores condições de ensino. O estudante Steve, de 18 anos, afirmou que o governo não respondeu às preocupações dos jovens e prometeu continuar participando de atos até que eles sejam ouvidos.
O movimento também reúne grupos políticos e organizações da sociedade civil, o que gerou questionamentos sobre quem conduz a campanha e se ela é de fato liderada por jovens. A organização nacional de estudantes do ensino médio, conhecida pela sigla BSK, se afastou da iniciativa e anunciou que pretende promover uma manifestação própria em 20 de novembro. Sua secretária-geral, Amy Kirchhoff, disse que a entidade não apoia o “Gen Z regelt”, mas considera legítimas as preocupações dos estudantes.
A oposição ao serviço militar obrigatório está entre as reivindicações do grupo, mas a manifestação não representa, por si só, uma mudança nas regras do país. A mobilização ocorre enquanto a Alemanha enfrenta dificuldades para retomar o crescimento econômico e pressões sobre aposentadorias e serviços públicos, em meio à saída da geração baby boomer do mercado de trabalho e à redução da população em idade produtiva.
Antes dos atos, autoridades alertaram que grupos extremistas poderiam tentar se aproveitar das manifestações. O Ministério Federal do Interior informou que setores da cena extremista alemã e grupos ligados a movimentos estrangeiros se mobilizaram em torno dos protestos. Empresas em várias cidades, inclusive na avenida Kurfürstendamm, em Berlim, protegeram vitrines e planejaram fechar mais cedo por receio de distúrbios.
Roman Poseck, ministro do Interior do estado de Hesse, cuja capital é Frankfurt, pediu que a França não fosse tratada como exemplo para os atos alemães. Ele mencionou imagens de saques, incêndios e ataques a policiais associadas a protestos franceses. As autoridades esperavam que as manifestações alemãs, realizadas no Halloween, fossem em grande parte pacíficas.
Entre as queixas levadas às ruas estão também as condições das instituições de ensino. Sean Baker, estudante da Universidade Técnica de Berlim, disse que participaria do ato para chamar atenção ao estado dos prédios do campus, que, segundo ele, parecem abandonados.