AfD fortalece pressão por cessar-fogo e corte de ajuda à Ucrânia
A moção aprovada no Parlamento da Saxônia-Anhalt é simbólica e não muda a política externa alemã; na França, Marine Le Pen também defende interromper o financiamento a Kiev.
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Uma moção apoiada pela AfD no Parlamento da Saxônia-Anhalt pede cessar-fogo na Ucrânia e interrupção da ajuda financeira a Kiev, mas não tem efeito sobre a política externa alemã. Na França, Marine Le Pen afirma que cortaria o financiamento caso seu partido chegasse ao governo. Emmanuel Macron diz que suspender a ajuda comprometeria a segurança francesa.
A pressão por um cessar-fogo na Ucrânia ganhou força entre partidos de extrema direita europeus e se cruzou com a disputa entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski. Na Alemanha, o Parlamento regional da Saxônia-Anhalt aprovou uma moção que pede a interrupção imediata dos combates e da ajuda financeira a Kiev, enquanto líderes franceses também discutem cortar o apoio ao país.
A moção foi aprovada em sessão extraordinária na quinta-feira (15), em um estado onde a Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu a eleição regional de setembro, com quase 44% dos votos. O partido, que passou a controlar o Legislativo estadual com o apoio da Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), defendeu negociações com a Rússia e a retomada das compras de gás natural russo.
A proposta também argumenta que a medida poderia reduzir os custos de energia e sustenta que “uma potência nuclear não pode ser derrotada no campo de batalha”. A decisão é simbólica: política externa não está entre as atribuições do governo estadual alemão, portanto a moção não determina a política nacional de apoio à Ucrânia.
O debate ocorre enquanto cresce a resistência política ao financiamento da guerra na Europa. Em discurso ao Parlamento alemão, o primeiro-ministro Friedrich Merz afirmou que nenhum euro destinado à Ucrânia está sendo retirado de gastos sociais ou da educação. Ele também advertiu que a Rússia demonstra disposição crescente para ampliar a escalada e mencionou riscos para países do leste europeu e para a própria Alemanha.
Merz acusou opositores de minimizar o conflito por interesse eleitoral. A copresidente da AfD, Alice Weidel, chamou a declaração de “desespero”. O chanceler alemão deixou o plenário enquanto ela discursava.
Na França, Marine Le Pen afirmou que, se a Reunião Nacional chegar ao governo, interromperá o financiamento à Ucrânia. Ela disse que a medida poderia ocorrer seis meses depois das eleições presidenciais, previstas para abril e maio, e justificou a proposta com a situação das contas públicas francesas.
O presidente Emmanuel Macron respondeu que suspender a ajuda comprometeria a segurança francesa. Ele também pediu aos líderes da União Europeia que decidam até o fim deste ano o próximo orçamento do bloco, que cobrirá o período de 2028 a 2034. A aprovação exige unanimidade dos 27 países-membros, e eleições previstas em vários países europeus em 2027 podem dificultar as negociações.
Está em discussão, ainda, o financiamento europeu à Ucrânia no próximo ano: € 70 bilhões (R$ 399 bilhões). A necessidade de recursos reacendeu a possibilidade de usar mais de € 200 bilhões (R$ 1,14 trilhão) em ativos russos congelados no sistema bancário da União Europeia. A proposta aparece com mais força quando os Estados Unidos recuam no apoio a Kiev.
A posição de Trump também se tornou um ponto de atrito. O presidente americano anunciou que os Estados Unidos comprariam diesel russo para tentar conter os preços dos combustíveis antes das eleições legislativas de meio de mandato. Depois, pediu que a Ucrânia suspendesse ataques a refinarias russas, em meio a um cessar-fogo energético anunciado por Washington.
Zelenski disse que as forças ucranianas continuariam a atacar refinarias na Rússia e criticou problemas de conexão da Starlink na linha de frente, além de falhas no compartilhamento de informações de inteligência dos Estados Unidos. Autoridades americanas negaram ter interrompido o envio de informações sobre mísseis balísticos. O secretário de Estado, Marco Rubio, atribuiu a falta de alguns alertas a um problema de software no sistema ucraniano.
Trump voltou a criticar Zelenski em uma publicação nas redes sociais, afirmando que o presidente ucraniano “não quer acabar com essa guerra e, provavelmente, nunca quis”. Zelenski, por sua vez, declarou que divergências entre europeus e americanos favorecem o presidente russo, Vladimir Putin, ao reforçarem a percepção de que Moscou está prevalecendo.