Gabriel Spalone é preso em SP sob suspeita de ameaçar sócios
O influenciador também responde a processo por suspeita de participar de desvio de R$ 146 milhões do Itaú em transferências via Pix.
Resumo em 30 segundos
Gabriel Spalone foi preso novamente em São Paulo, sob suspeita de extorquir e ameaçar dois empresários que eram seus sócios. Ele também é acusado, em processo separado, de participar de um esquema que desviou R$ 146 milhões do Itaú por meio de transferências via Pix. A defesa nega as acusações; não há condenação.
O influenciador Gabriel Spalone foi preso novamente nesta quinta-feira, em São Paulo, sob suspeita de extorquir e ameaçar dois empresários que eram seus sócios. Ele também é investigado em um processo separado por suposta participação em um esquema que desviou R$ 146 milhões do Itaú por meio de transferências via Pix.
Segundo as investigações, Spalone teria dito aos empresários que integrava o Primeiro Comando da Capital (PCC). A defesa negou que ele tenha ligação com a facção e afirmou que ainda não teve acesso ao processo sobre as ameaças, que tramita sob sigilo. O advogado Eduardo Maurício disse que pretende pedir a liberdade do cliente na audiência de custódia e, se necessário, a revogação da prisão preventiva.
Spalone é apontado como dono das empresas Dubai Cash e Next Trading Dubai. Em fevereiro, a Justiça de São Paulo concedeu a ele liberdade provisória no processo relacionado ao suposto golpe do Pix. A decisão considerou que havia provas da ocorrência do crime e indícios de autoria, mas levou em conta que ele era primário e avaliou que a prisão preventiva não era necessária naquele momento. Foram impostas medidas cautelares, como comparecer ao processo e manter o endereço atualizado.
Antes disso, ele havia sido preso em setembro, após ser incluído na lista vermelha da Interpol, mecanismo usado para pedir a localização e a prisão provisória de pessoas procuradas internacionalmente. Foi detido na Argentina e transferido ao Brasil, onde teve a prisão preventiva decretada em novembro. A defesa já havia negado as acusações e afirmado que ele é inocente.
O Ministério Público de São Paulo denunciou Spalone e outros dois homens por furto e associação criminosa. De acordo com a acusação, o grupo usou uma credencial válida de uma prestadora de serviços do Itaú para fazer 607 transferências via Pix, em curto intervalo, a partir de dez contas bancárias. O suposto esquema ocorreu em fevereiro de 2025.
O banco conseguiu recuperar pouco mais de R$ 107 milhões dos R$ 146 milhões transferidos, segundo o Ministério Público. O prejuízo restante foi de quase R$ 40 milhões. A denúncia afirma que parte relevante do dinheiro foi enviada a empresas ligadas a um dos denunciados, enquanto Spalone teria operado as transações, inclusive durante viagens internacionais.
Na audiência que resultou em sua liberdade provisória, Spalone declarou receber entre R$ 35 mil e R$ 40 mil por mês. As acusações dos dois processos ainda não representam condenação; a defesa nega o envolvimento dele nos crimes.
Para entender
- Lista vermelha da Interpol
- É um alerta internacional usado para solicitar que autoridades localizem uma pessoa procurada e, quando permitido pela legislação local, a detenham provisoriamente. O alerta não equivale a uma ordem internacional de prisão nem determina culpa; cada país decide como agir.