Incêndio na UFPE destrói pesquisas e causa prejuízo de R$ 100 milhões
O fogo atingiu o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo, no Recife; a PF investiga as causas e ameaças que circularam antes do incêndio.
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O incêndio destruiu o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo da UFPE, onde funcionavam laboratórios de pesquisa. A universidade estima prejuízo de R$ 100 milhões e mais de 200 estudos afetados. A PF investiga a origem do fogo e mensagens de ameaças, mas ainda não determinou se o incêndio foi acidental ou criminoso.
Um incêndio destruiu, na noite de quarta-feira (7), o prédio da antiga Diretoria de Inovação e Empreendedorismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no campus da instituição, na Zona Oeste do Recife. O edifício abrigava laboratórios de farmácia, informática e genética e um núcleo de inovação terapêutica; ninguém ficou ferido. A Polícia Federal (PF) investiga as causas do fogo e a circulação de ameaças contra a universidade.
As chamas atingiram principalmente os pavimentos superiores. O trabalho de rescaldo terminou às 5h de quinta-feira, e laboratórios no andar inferior foram preservados. O combate mobilizou oito viaturas do Corpo de Bombeiros, segundo informações divulgadas sobre a ocorrência.
A UFPE estima o prejuízo em cerca de R$ 100 milhões, considerando equipamentos, insumos e materiais de pesquisa. Mais de 200 estudos foram afetados, e aproximadamente 80 dissertações de mestrado e teses de doutorado foram perdidas ou impactadas. Entre os temas das pesquisas estavam câncer, autismo, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Covid-19 e chikungunya.
O reitor da universidade, Alfredo Gomes, estimou que de 80 a 100 estudantes de iniciação científica, mestrado e doutorado trabalhavam nos laboratórios atingidos. “É uma perda irreparável para a universidade, para todos os pesquisadores e pesquisadoras”, afirmou. A destruição de amostras biológicas e dados acumulados ao longo de anos pode impedir a continuidade de estudos sem novas coletas e recursos.
Entre os materiais perdidos havia amostras de cerca de 200 pacientes com câncer de fígado, reunidas ao longo de dez anos em um estudo conduzido por pesquisadores da UFPE e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco. O pesquisador Luydson Vasconcelos disse que também foram destruídos materiais de pesquisas sobre Covid-19 e chikungunya, desenvolvidos ao longo de 15 anos. Parte das amostras foi coletada de pessoas que já morreram, o que torna impossível refazer integralmente aquele conjunto de dados biológicos.
O prédio já havia funcionado como restaurante universitário e, durante a pandemia de Covid-19, recebeu estudos relacionados à doença. Também sediou por anos a Diretoria de Inovação e Empreendedorismo. Segundo o reitor, a construção era antiga e passava por manutenção regular. Ele afirmou que os produtos inflamáveis usados nos laboratórios estavam armazenados de forma adequada e não teriam sido a origem do incêndio.
A PF iniciou uma investigação para identificar onde o fogo começou e reconstituir o que ocorreu antes do incêndio. A apuração também considera mensagens com ameaças de ataques que circularam em redes sociais e grupos de estudantes. Suspeitos pelo envio de mensagens intimidadoras foram ouvidos, e a universidade pediu que tanto as ameaças quanto as causas do fogo sejam apuradas. Até agora, a perícia não determinou se o incêndio foi acidental ou criminoso.
Robôs e drones foram usados para uma avaliação inicial da estrutura. A entrada dos peritos depende de medidas de escoramento e reforço do prédio para reduzir o risco de desabamento. Especialistas do Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, devem participar da análise. A polícia ainda precisa estabelecer a origem do fogo; a circulação de ameaças, por si só, não comprova relação com o incêndio.
Este foi o terceiro incêndio em instalações da UFPE em pouco mais de uma semana. Em 30 de setembro, um incidente em um laboratório do Departamento de Física foi atribuído a uma câmara de alta temperatura usada em experimento. No domingo, 4 de outubro, um curto-circuito em um aparelho de ar-condicionado provocou fogo no laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. Não houve feridos nos três casos.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, anunciou R$ 28 milhões para a construção de um novo prédio, com cerca de 7 mil metros quadrados, mais que o dobro da área do edifício destruído, de 3 mil metros quadrados. A obra deve começar após a conclusão da perícia e da investigação; o ministro afirmou que a previsão é iniciar os trabalhos em até 30 dias. O Ministério da Educação também se comprometeu a repor os equipamentos destruídos e a permitir que pesquisadores continuem os estudos em outras universidades, inclusive no exterior.