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Segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Eleições em Niterói mostram esquerda à frente e avanço do PL

Douglas Gomes foi o candidato local mais votado para deputado federal, e Fernanda Neves liderou a disputa pela Alerj; ambos foram eleitos.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Eleitores deixam um local de votação em Niterói, com uma urna em primeiro plano. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Eleitores deixam um local de votação em Niterói, com uma urna em primeiro plano.
Resumo em 30 segundos

Niterói manteve a vantagem de candidatos de esquerda nas disputas majoritárias, mas nomes do PL tiveram destaque nas eleições legislativas. Douglas Gomes foi o candidato local mais votado para deputado federal, e Fernanda Neves liderou a votação para a Alerj. Especialistas apontam a influência de acordos políticos e da atuação nas redes sociais.

Niterói manteve a preferência por candidatos de esquerda nas principais disputas majoritárias do primeiro turno das eleições, mas a direita ampliou sua presença nas disputas legislativas. Na cidade, Douglas Gomes (PL) foi o candidato local mais votado para a Câmara dos Deputados, com 46.710 votos, e Fernanda Neves (PDT), mulher do prefeito Rodrigo Neves, liderou a votação para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), com 39.715.

Os partidos de esquerda somaram 125.231 votos para deputado federal e estadual em Niterói, considerando PSOL, PT e PDT. PL e Republicanos, classificados como de direita no levantamento, reuniram 96.258 votos nessas disputas. O PSDB, considerado de centro, teve 4.108 votos.

O resultado legislativo conviveu com a vantagem da esquerda nas disputas majoritárias locais. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 154.098 votos para presidente, equivalentes a 48,35% dos válidos, ante 139.309 de Flávio Bolsonaro (PL), com 43,71%. Lula e Flávio avançaram ao segundo turno, marcado para o dia 25 deste mês.

Na corrida pelo governo estadual, Eduardo Paes (PSD) obteve 148.902 votos em Niterói, ou 49,72% dos válidos. Douglas Ruas (PL) ficou com 127.926, equivalentes a 42,72%. A votação municipal de Ruas foi menor que a de Paes, embora o cenário estadual tenha sido alterado posteriormente por uma decisão da Justiça Eleitoral sobre os votos de Anthony Garotinho (Republicanos).

Para o Senado, Benedita da Silva (PT) foi a mais votada na cidade, com 144.825 votos, ou 25,41% do total. Carlos Jordy (PL) recebeu 127.842, e Carlos Portinho (PL), 127.433. Apesar da votação dos dois candidatos do PL, Benedita ficou à frente deles em Niterói, mas não conquistou uma das vagas. Jordy foi eleito senador.

Na disputa pela Alerj, além de Fernanda Neves, foram reeleitos Flávio Serafini (PSOL), com 19.672 votos na cidade, e Veronica Lima (PT), que recebeu 21.724. Daniel Marques (PL) também conquistou uma cadeira, com 25.288 votos. Fernanda liderou entre os candidatos com atuação local; o resultado ocorreu em meio a acordos políticos e à decisão de Vitor Junior (PDT) de não disputar a reeleição para a Assembleia, favorecendo a candidatura dela.

Para deputado federal, Talíria Petrone (PSOL) foi reeleita com 19.813 votos em Niterói. Douglas Gomes também foi eleito. Axel Grael (PDT) recebeu 7.318 votos, e Vitor Junior, 14.784; os dois não conquistaram vaga. Benny Briolly (PT) teve 2.205 votos e retorna à vereança. Em 2022, ela havia recebido 4.435 na cidade.

Entre os candidatos de direita, Laís Jordy (PL) somou 6.555 votos, Bruno Lessa (PL), 15.328, e Fabiano Gonçalves (Republicanos), 2.647. Nenhum deles foi eleito. Juliana Benício, do PSDB, recebeu mais de quatro mil votos para deputada federal e retorna à Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Niterói registrou 298.669 votos válidos, 14.847 em branco e 12.498 nulos. Mais de 80 mil eleitores não compareceram às urnas. Em 2022, a abstenção havia sido de 78.326 pessoas.

O cientista político Márcio Malta, do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF), relacionou a vantagem de candidatos de esquerda nas disputas majoritárias à trajetória política da cidade. Ele afirmou, porém, que o desempenho de Douglas Gomes indica crescimento da direita e pode fortalecê-lo para uma eventual disputa pela prefeitura em 2028.

Malta também avaliou que a votação de Fernanda Neves foi influenciada pela estrutura política e por acordos eleitorais, sem desconsiderar o trabalho e as propostas da candidata. Já Romário Regis, especialista em campanhas digitais da Irin Consultorias, atribuiu parte do avanço da direita à atuação coordenada nas redes sociais e à exploração de conflitos e temas polêmicos. Para ele, a esquerda teve mais dificuldade de construir uma mensagem comum por causa da dispersão entre partidos e candidaturas.

Regis ponderou que os números não representam necessariamente uma queda equivalente da esquerda, porque os votos se distribuíram entre diferentes nomes. Talíria recebeu 19.813 votos em Niterói neste pleito, ante cerca de 22 mil em 2022; no estado, passou de aproximadamente 200 mil para 122.500. O especialista também citou a ausência de Marcelo Freixo e da ministra Anielle Franco entre os candidatos em 2022 como parte do contexto da distribuição dos votos.

Fontes: O Globo, Folha de S.Paulo

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