Fumaça em Manaus eleva poluição e impede combate aéreo a incêndios
O índice de qualidade do ar chegou a 657 pontos no sábado, enquanto 11 pessoas foram presas em Autazes por suspeita de crimes ambientais.
Resumo em 30 segundos
A fumaça de incêndios florestais levou a qualidade do ar em Manaus a nível perigoso no sábado e impediu operações aéreas de combate às chamas. Na cidade de Autazes, 11 pessoas foram presas por suspeita de envolvimento em queimadas e outros crimes ambientais. O Ministério Público do Amazonas abriu inquérito para apurar as causas.
Onze pessoas foram presas no sábado (17), em Autazes, no interior do Amazonas, por suspeita de envolvimento em queimadas e outros crimes ambientais. As detenções foram anunciadas pelo governador Roberto Cidade, em meio à intensificação dos incêndios florestais no estado; os nomes dos suspeitos não foram divulgados.
Cidade afirmou que as forças de segurança e equipes de combate trabalham para identificar os responsáveis pelos incêndios. Segundo o governador, aproximadamente metade dos focos ocorre em áreas federais e a outra metade, em áreas estaduais. Ele disse que a fiscalização e o combate às queimadas serão reforçados, mas não detalhou as operações previstas em unidades de conservação estaduais.
Autazes esteve entre os municípios com mais focos no começo deste mês. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam 139 registros na cidade entre os dias 10 e 13. Focos detectados por satélite indicam pontos de calor, mas não correspondem necessariamente a incêndios de grandes proporções.
O Ministério Público do Amazonas (MPAM) abriu um inquérito civil para investigar as causas das queimadas. A apuração busca identificar responsáveis, verificar possíveis danos ambientais e esclarecer a origem do fogo. Inquéritos civis são procedimentos usados pelo Ministério Público para reunir informações e avaliar medidas de proteção de interesses coletivos, como o meio ambiente.
A fumaça dos incêndios também atingiu Manaus e levou a qualidade do ar a nível classificado como “perigoso” na manhã de sábado. Por volta das 8h40, o índice chegou a 657 pontos, segundo a plataforma IQAir. Na mesma medição, Porto Velho, em Rondônia, registrava 65 pontos. A plataforma também indicou concentração de partículas finas 59,2 vezes acima do valor recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O epidemiologista Jesem Orellana, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), recomendou que a população evitasse sair de casa e mantivesse portas e janelas fechadas, sobretudo crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares. Ele afirmou que autoridades estaduais e municipais deveriam considerar suspender parte das atividades a partir de segunda-feira se a poluição permanecesse elevada.
A fumaça reduziu a visibilidade e, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), impediu operações aéreas de combate a incêndios. O prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante), pediu apoio de autoridades estaduais, nacionais e internacionais. Ele atribuiu a fumaça a queimadas em outros municípios e estados e afirmou que a capital não é responsável pelos focos que a atingem.