Fumaça de queimadas no Amazonas encobre Porto Velho e piora o ar
Às 15h, a qualidade do ar em Porto Velho chegou a 107 pontos no índice US AQI; partículas finas atingiram 38 microgramas por metro cúbico.
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A fumaça de queimadas no Amazonas chegou a Porto Velho nesta terça-feira, encobrindo o horizonte do Rio Madeira e piorando a qualidade do ar. A prefeitura atribui o transporte da poluição aos ventos. O estado registrou 1.380 focos de incêndio nos primeiros dez dias de outubro, quase quatro vezes o total do mesmo período de 2025.
A fumaça de queimadas no Amazonas encobriu Porto Velho nesta terça-feira (13), reduzindo a visibilidade do horizonte do Rio Madeira e piorando a qualidade do ar na capital de Rondônia. A prefeitura atribuiu a chegada da poluição ao transporte de fumaça pelos ventos, confirmado, segundo o município, por informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e imagens do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Às 15h, Porto Velho registrava 107 pontos no índice US AQI, usado nos Estados Unidos para medir a qualidade do ar, de acordo com a IQAir, empresa que monitora a poluição atmosférica. Manaus marcava 103 pontos. Na escala, valores de 100 a 150 indicam condição considerada insalubre para grupos sensíveis, como crianças, idosos e gestantes.
A concentração de partículas finas PM2.5 em Porto Velho era de 38 microgramas por metro cúbico. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a média em 24 horas não ultrapasse 15 microgramas por metro cúbico. A prefeitura afirmou que a estiagem e a baixa umidade agravam o cenário.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente orientou os moradores a beber água, umidificar os ambientes e reforçar os cuidados com crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. Partículas finas podem penetrar profundamente nos pulmões, por isso a exposição à fumaça exige atenção especial de pessoas mais vulneráveis.
Os incêndios no Amazonas se concentram desde setembro no interior do estado e em áreas ao sul de Manaus e da região metropolitana, incluindo Careiro, Careiro da Várzea e Autazes. Dados do Painel do Fogo, ligado ao Ministério da Defesa, contabilizaram 1.380 focos nos primeiros dez dias de outubro, quase quatro vezes o total do mesmo período do ano passado.
O Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) estimou que 122.794 hectares foram queimados no Amazonas nos primeiros nove dias de outubro. A área corresponde a 97,3% acima da média histórica para o mês inteiro.
Em Porto Velho, por outro lado, os registros de focos de queimadas caíram 32,8% entre janeiro e o período correspondente do ano passado. O Inpe contabilizou 680 focos em 2026, ante 1.013 em 2025. A prefeitura informou que mantém ações de prevenção e combate, com fiscalização, vistorias, conscientização ambiental e contratação de uma organização especializada.
A estiagem na Região Norte, associada ao El Niño e às altas temperaturas, resseca a vegetação e facilita a propagação do fogo. A redução da umidade também dificulta a dispersão da poluição, e não havia previsão de normalização imediata das condições climáticas na região.
Para entender
- PM2.5
- Partículas finas suspensas no ar, com diâmetro de até 2,5 micrômetros. Por serem muito pequenas, podem penetrar profundamente no sistema respiratório; a exposição é especialmente preocupante para pessoas vulneráveis.
- US AQI
- Índice usado nos Estados Unidos para comunicar a qualidade do ar. Ele reúne medições de poluentes em uma escala na qual números maiores indicam pior condição; entre 100 e 150, a classificação aponta risco para grupos sensíveis.