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Quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Fumaça em Manaus é associada a queimadas no Pará e no Amazonas

Simulações apontam rotas de vento que cruzaram áreas com incêndios; a concentração de PM2.5 chegou a 344,5 microgramas por metro cúbico.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Fumaça encobre parte do horizonte de Manaus, com a floresta ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Fumaça encobre parte do horizonte de Manaus, com a floresta ao fundo.
Resumo em 30 segundos

Simulações do Lasa/UFRJ indicam que massas de ar que chegaram a Manaus passaram por áreas de queimadas no Pará e no Amazonas. A análise não determina sozinha a origem exata da fumaça. A cidade registrou picos elevados de partículas finas, enquanto autoridades estaduais anunciaram ações contra os incêndios e a estiagem.

A fumaça que encobriu Manaus nas últimas semanas foi transportada por correntes de ar que passaram por áreas com queimadas no Pará e no Amazonas, segundo simulações do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ). A análise examinou as rotas de ventos entre 10 e 15 de outubro e identificou regiões a leste da capital como possíveis fontes da fuligem.

As trajetórias indicam que massas de ar que chegaram a Manaus podem ter cruzado áreas do Pará, incluindo uma região ao sul de Santarém, onde ficam a Floresta Nacional do Tapajós e localidades como São Benedito e São José. No Amazonas, os ventos também passaram por áreas com muitos focos de incêndio na Região Metropolitana, entre elas Itacoatiara, Autazes, Careiro e Careiro da Várzea.

Renata Libonati, coordenadora do Lasa, afirmou que o estudo buscou investigar a origem das massas de ar que alcançaram Manaus e avaliar a possibilidade de transporte de fumaça de outras regiões. Ela ressalvou que a análise das trajetórias, sozinha, não permite determinar precisamente onde a fumaça começou. A comparação com os registros de queimadas, porém, apontou focos numerosos a leste da capital nos sete dias anteriores ao período estudado.

Desde 10 de outubro, mais da metade dos 3.644 focos de queimadas registrados no país ocorreu no Pará e no Amazonas: 1.188 no primeiro estado e 726 no segundo. Os dados são do sistema Alarmes, do Lasa. No Amazonas, a área queimada em setembro chegou a 291.060 hectares, 38,8% acima da média histórica, de 209.651 hectares.

Em outubro, a área atingida no estado já somava 220,7 mil hectares no período analisado. O número representa 249% a mais que a média histórica de todo o mês, de 63,2 mil hectares. Pesquisadores relacionam a intensificação do fogo desde setembro ao início dos efeitos de um El Niño forte em formação, fenômeno que pode favorecer seca severa e ondas de calor no Norte do país.

A quantidade de material combustível também é apontada como um fator que facilita a propagação das chamas. Segundo especialistas citados na análise, como houve poucas queimadas no Brasil nos dois anos anteriores, há mais folhas secas e outros materiais acumulados nos terrenos.

A fumaça elevou a preocupação com a qualidade do ar em Manaus. Na quinta-feira, 8 de outubro, a concentração de partículas finas PM2.5 chegou a 200 microgramas por metro cúbico às 22h, conforme a Defesa Civil municipal. O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), ligado à Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registrou pico de 344,5 microgramas por metro cúbico às 2h de sexta-feira, dia 9.

PM2.5 é a designação dada a partículas suspensas no ar com diâmetro de até 2,5 micrômetros. Por serem muito pequenas, podem penetrar profundamente no sistema respiratório. A Organização Mundial da Saúde recomenda que a concentração média dessas partículas em 24 horas não ultrapasse 15 microgramas por metro cúbico. Na semana anterior, Manaus aparecia com a pior qualidade do ar entre as cidades brasileiras acompanhadas pela plataforma internacional IQAir.

As autoridades estaduais anunciaram medidas de combate ao fogo e de resposta à estiagem. Em 12 de outubro, o governo do Amazonas reuniu prefeitos do interior para alinhar ações emergenciais. Dois dias antes, ministros do Meio Ambiente e da Integração e o governador Roberto Cidade sobrevoaram áreas atingidas e participaram de uma reunião do comitê estadual voltado a eventos climáticos e ambientais.

A Operação Tamoiotatá começou em 23 de fevereiro de 2026 e abrange 13 municípios, informou o governo estadual. Decretos de 9 de setembro proibiram o uso do fogo por 120 dias e instituíram o Plano Estadual de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas. Entre 1º de junho e 12 de outubro, os bombeiros registraram 3.575 ocorrências de incêndios urbanos e florestais e combateram 21.766 focos: 4.532 na capital e 17.234 no interior.

Para entender

PM2.5
São partículas suspensas no ar com diâmetro de até 2,5 micrômetros. Por serem muito pequenas, podem penetrar profundamente no sistema respiratório. A concentração dessas partículas é usada para acompanhar a poluição do ar e seus possíveis efeitos à saúde.
El Niño
Fenômeno climático associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial. Pode alterar padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões; seus efeitos variam conforme a intensidade e o período.

Fontes: O Globo

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