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Segunda-feira, 12 de outubro de 2026

FAB envia dois aviões KC-390 para combater queimadas no Amazonas

As aeronaves chegaram a Manaus no domingo; para esta segunda-feira, estão previstas três operações com lançamento de cerca de 12 mil litros de água cada.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Avião militar lança água sobre uma área de floresta amazônica tomada por fumaça. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Avião militar lança água sobre uma área de floresta amazônica tomada por fumaça.
Resumo em 30 segundos

Dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira chegaram a Manaus para apoiar o combate aos incêndios no Amazonas. O estado registrou 1.380 focos nos dez primeiros dias de outubro, e 36 municípios estão em situação de emergência. A fumaça também afeta a capital, onde o calor dificulta sua dispersão.

Duas aeronaves KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira (FAB) chegaram à Base Aérea de Manaus na noite de domingo para reforçar o combate aos incêndios no Amazonas. Para esta segunda-feira, estão previstas três decolagens de aproximadamente duas horas, com lançamento de cerca de 12 mil litros de água em cada operação. O estado tem 36 municípios em situação de emergência e a fumaça também afeta a capital.

Uma das aeronaves transportou equipamentos de apoio, enquanto a outra foi preparada para atuar diretamente sobre os focos de incêndio. Ela usa o Sistema Modular Aerotransportado de Combate a Incêndios (MAFFS, na sigla em inglês), que libera água por um tubo instalado na parte traseira do avião. O sistema pode despejar até três mil galões de água, com ou sem retardante de fogo, conforme a operação.

A FAB afirma que o equipamento permite direcionar a descarga com mais precisão. Os voos exigem baixa altitude e velocidade reduzida, além de serem realizados em condições de calor elevado. O planejamento das ações é feito pelo Comando de Operações Aeroespaciais.

O Amazonas contabilizou 1.380 focos de incêndio nos dez primeiros dias de outubro, quase quatro vezes o total registrado no mesmo intervalo do ano passado, segundo dados do Painel do Fogo, ligado ao Ministério da Defesa. Até sexta-feira, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) havia identificado 782 focos de calor no estado durante o mês. Os números têm períodos de apuração e critérios próprios, por isso não são diretamente equivalentes.

A área queimada chegou a 122.794 hectares nos primeiros nove dias de outubro, conforme o Sistema Alarmes, do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O total supera em 97,3% a média histórica de queimadas para o mês inteiro, de 62.239 hectares.

O governador Roberto Cidade (União Brasil) decretou situação de emergência em 36 municípios, abrangendo áreas próximas a Manaus e o sul do estado. Há registros de incêndios em localidades como Itacoatiara, Parintins, Coari e Tefé. A prefeitura da capital atribui a fumaça a queimadas na Região Metropolitana e no interior, enquanto o calor dificulta a dispersão do material no ar.

Após sobrevoar áreas atingidas no domingo, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, disse que o cenário era “mais grave do que o previsto”. Segundo ele, a equipe encontrou focos dentro de floresta preservada, além de incêndios que avançaram de áreas de pastagem. A fumaça em Manaus reduziu a visibilidade e o teto operacional, atrasando a decolagem da comitiva ministerial.

A origem e a distribuição do fogo também estão no centro de divergências entre autoridades estaduais e federais. O Ministério do Meio Ambiente afirmou que o governo do Amazonas dispensou apoio federal solicitado anteriormente e recusou o deslocamento de uma equipe de brigadistas. Já o comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, coronel Orleilso Muniz, declarou que o pedido de ajuda havia sido negado, inclusive para áreas sob responsabilidade federal.

O ministério informou que o governo federal já participa das ações com 11 aeronaves — entre elas aviões Air Tractor e os KC-390 — e 290 brigadistas em campo. O governo estadual, por sua vez, ampliou operações contra crimes ambientais na Região Metropolitana e em Manaquiri, Autazes, Careiro Castanho e Careiro da Várzea. Especialistas citados na cobertura associam o aumento dos incêndios desde setembro, possivelmente, aos efeitos do El Niño, que pode intensificar a seca na região.

Para entender

MAFFS
O Sistema Modular Aerotransportado de Combate a Incêndios é um equipamento instalado em aeronaves para lançar água ou retardante sobre áreas em chamas. No KC-390, a descarga é feita por um tubo na parte traseira do avião.

Fontes: O Globo

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