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Terça-feira, 13 de outubro de 2026

Incêndios no Amazonas espalham fumaça por Manaus e suspendem aulas

A capital teve melhora na qualidade do ar nesta terça-feira, mas ainda registrava a pior condição entre as cidades brasileiras monitoradas pela IQAir.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Fumaça encobre parte de Manaus, com moradores usando máscaras em uma rua da cidade. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Fumaça encobre parte de Manaus, com moradores usando máscaras em uma rua da cidade.
Resumo em 30 segundos

Incêndios florestais no Amazonas espalharam fumaça por Manaus, onde as aulas da rede municipal foram suspensas nesta terça-feira para reduzir a exposição. O governo federal reconheceu situação de emergência em 36 municípios e mobilizou 290 brigadistas e 11 aeronaves. O estado registrou 1.380 focos de incêndio nos dez primeiros dias de outubro, alta de 271% em relação a 2025.

Incêndios florestais no Amazonas espalharam fumaça por Manaus e levaram à suspensão das aulas da rede municipal nesta terça-feira, 13. O governo federal reconheceu situação de emergência em 36 municípios do estado, e uma força-tarefa com 290 brigadistas e 11 aeronaves atua para combater os focos, que se concentram principalmente no leste do Amazonas e nas proximidades da capital.

A prefeitura orientou moradores a usar máscaras e informou que a fumaça que encobre Manaus nas últimas semanas vem de queimadas em outras partes do estado. Chuvas em alguns bairros durante a madrugada melhoraram a qualidade do ar na manhã desta terça, mas a capital ainda registrava a pior condição entre as cidades brasileiras monitoradas pela plataforma IQAir.

Às 6h, o índice de qualidade do ar da IQAir era 92, classificado como moderado. A concentração de partículas finas PM2.5 — poluentes que podem penetrar profundamente nos pulmões — chegou a 31 microgramas por metro cúbico, 6,3 vezes o valor de referência anual da Organização Mundial da Saúde (OMS). Na segunda-feira, por volta das 6h, o índice havia atingido 195, considerado insalubre, e a concentração de PM2.5 estava em 123 microgramas por metro cúbico.

A suspensão das aulas municipais foi mantida nesta terça para diminuir a exposição de alunos e profissionais à fumaça. Na segunda-feira, o governo federal também enviou alertas por WhatsApp a moradores de áreas afetadas, com recomendações para usar máscaras, vedar ambientes e procurar uma unidade de saúde ou serviço de emergência do Sistema Único de Saúde (SUS) diante de sintomas respiratórios.

O Amazonas contabilizou 1.380 focos de incêndio nos dez primeiros dias de outubro, segundo o Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia. O número representa aumento de 271% em relação ao mesmo período de 2025. Autazes e a região de Itacoatiara estão entre as áreas atendidas pela operação, que também prepara uma base de apoio para aeronaves em Itacoatiara.

Em Parintins, a 369 quilômetros de Manaus, a Força Aérea Brasileira enviou um cargueiro KC-390, capaz de despejar até 12 mil litros de água em uma passagem. Aviões Air Tractor do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também lançam água sobre áreas em chamas. O governo federal informou que o efetivo permanecerá no estado até que os focos que causam danos à população sejam apagados.

O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, e o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, sobrevoaram áreas atingidas no domingo. Capobianco disse que encontrou incêndios no interior de áreas preservadas da floresta, além de focos isolados e de difícil acesso. Segundo ele, a situação é mais grave do que esperava e os pontos observados podem indicar ação intencional para degradar a floresta e preparar terreno para desmatamento.

A Polícia Civil do Amazonas investiga a autoria de incêndios criminosos. Em setembro, a corporação registrou 69 boletins de ocorrência relacionados a crimes ambientais no estado. A fumaça começou a afetar a rotina de Manaus em 8 de setembro, quando houve acúmulo de fuligem na atmosfera; no dia seguinte, o governo estadual proibiu o uso do fogo em todo o Amazonas.

A estiagem na Região Norte, temperaturas elevadas e a influência do El Niño contribuem para o agravamento das queimadas. O fenômeno climático reduz a umidade que chega à Amazônia a partir do Oceano Atlântico e pode prolongar períodos de seca. Com menos umidade, a vegetação e a matéria orgânica do solo ficam mais secas e inflamáveis, enquanto a dispersão da poluição nas cidades se torna mais difícil.

Além dos efeitos sobre a saúde, a seca ameaça animais e comunidades isoladas que dependem dos rios para receber alimentos e se deslocar. As operações de combate aos incêndios no Amazonas devem continuar ao longo da semana.

Para entender

El Niño
Fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial. Seus efeitos podem alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões, contribuindo para períodos de seca e condições que favorecem a propagação do fogo.
PM2.5
Partículas finas com diâmetro de até 2,5 micrômetros, pequenas o bastante para penetrar profundamente no sistema respiratório. Podem ser emitidas, entre outras fontes, pela queima de vegetação e são usadas para avaliar a poluição do ar.

Fontes: Estadão

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