Brandon Thomas cria apps gratuitos inspirados em Adobe e Microsoft
O projeto ArtCraft também reúne versões de programas como Photoshop, Word e Excel, mas os aplicativos ainda têm falhas e não substituem os originais no trabalho profissional.
Resumo em 30 segundos
Brandon Thomas usou inteligência artificial para desenvolver, no projeto ArtCraft, versões de código aberto de aplicativos associados à Adobe, à Microsoft e ao Figma. Os programas foram feitos com uma técnica de reimplementação independente, mas ainda apresentam falhas e limitações. Uma avaliação interna estima que o PhotoCraft atingiu cerca de 45% da maturidade necessária para substituir o Photoshop profissionalmente.
O desenvolvedor Brandon Thomas criou, com ajuda de inteligência artificial (IA), versões gratuitas e de código aberto de programas da Adobe, da Microsoft e da plataforma de design Figma. Reunidos no projeto ArtCraft, os aplicativos foram divulgados na internet no começo de outubro e ganharam repercussão por tentar reproduzir funções de softwares comerciais conhecidos, geralmente oferecidos por assinatura.
Entre as ferramentas apresentadas estão PhotoCraft, inspirado no Photoshop, e versões de programas como Premiere, Lightroom, Excel, PowerPoint e Word. Thomas também publicou uma reconstrução do Figma. Os projetos são distribuídos com código aberto, o que permite que outras pessoas examinem, modifiquem e compartilhem o código, conforme as condições da licença adotada.
O ArtCraft já existia em maio de 2025 como uma ferramenta de criação de arte com IA, de acordo com registros do Internet Archive. A iniciativa teve maior visibilidade quando Thomas passou a divulgar os aplicativos reconstruídos. O projeto foi apresentado inicialmente pelo usuário u/ai_art_is_art, no Reddit; o desenvolvedor afirma ter 15 anos de experiência na área.
Thomas diz que não invadiu sistemas nem acessou o código-fonte da Adobe, da Microsoft ou do Figma. Segundo ele, os aplicativos foram feitos por meio de uma técnica chamada reimplementação “clean-room”: desenvolvedores observam como um programa se comporta e criam, com base nessa análise, uma implementação independente, sem copiar o código original.
Na documentação do PhotoCraft, Thomas afirma que a equipe estudou o Photoshop e outros editores proprietários apenas para entender o comportamento e a aparência. As instruções para o agente de IA encarregado do trabalho dizem: “Nunca copie o código, shaders, perfis ou assets deles”. O processo também pode usar especificações disponíveis publicamente, como informações técnicas sobre o formato PSD, empregado pelo Photoshop.
A metodologia depende de observar recursos, transformar essas observações em requisitos, implementar as funções e comparar os resultados com os do programa original. A engenharia reversa é usada há décadas, inclusive para permitir que softwares funcionem em sistemas diferentes ou para substituir componentes antigos sem suporte. Reproduzir aplicativos complexos, porém, costuma exigir tempo e conhecimento especializado; ferramentas de IA podem acelerar a escrita e a revisão do código, mas não eliminam as etapas de análise e teste.
Thomas atribui o desenvolvimento ao Claude Opus 5.5, modelo de IA da Anthropic. Ele não apresentou um balanço completo do consumo de tokens nem dos custos de cada aplicativo. Também não é possível verificar de forma independente se todas as implementações seguiram rigorosamente o método descrito.
Os aplicativos foram desenvolvidos na linguagem Rust. Relatos de usuários indicam que ainda há falhas e instabilidade, e que os programas não reproduzem exatamente os resultados dos originais. Em uma avaliação interna publicada em 10 de outubro, a equipe estimou que o PhotoCraft havia alcançado cerca de 45% da maturidade necessária para substituir o Photoshop em trabalho profissional.
Entre os problemas relatados para o PhotoCraft estão dificuldades com arquivos HEIC, seleção de objetos e salvamento. O FilmCraft, versão associada ao Premiere, teve falhas na edição de clipes e na reprodução de áudio. Thomas havia prometido inicialmente chegar a 100% de equivalência funcional com os programas da Adobe em um mês, mas depois reconheceu que o desenvolvimento poderia levar vários meses.
A repercussão dividiu usuários. Críticos questionam a qualidade de programas criados em grande parte com IA e apontam que alternativas gratuitas ou mais consolidadas já atendem a diferentes necessidades. Entre elas estão GIMP e Krita, para edição e criação de imagens; LibreOffice, para documentos e planilhas; e DaVinci Resolve, para edição de vídeo. Embora não tenham necessariamente a mesma interface ou os mesmos recursos dos programas comerciais, essas ferramentas têm mais tempo de uso e desenvolvimento.
A curiosidade em torno do ArtCraft também se relaciona ao custo de acesso a softwares profissionais. A Adobe oferece seus programas pela Creative Cloud, e a empresa já foi processada sob a acusação de ocultar taxas de rescisão e dificultar o cancelamento de assinaturas. A oferta de versões gratuitas pode atrair quem busca alternativas, mas os relatos sobre bugs e limitações indicam que os aplicativos do projeto ainda não são substitutos equivalentes para uso profissional.
Para entender
- Reimplementação clean-room
- Método de desenvolvimento em que uma equipe observa o comportamento de um programa e cria uma implementação independente com base nessa análise, sem copiar o código original. A técnica pode ser usada para reproduzir funcionalidades ou permitir compatibilidade entre sistemas e softwares.