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Segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Incêndios no Amazonas levam governo a mobilizar aeronaves e equipes

O ministro João Paulo Capobianco viu indícios de fogo intencional, enquanto registros de fogo ativo mais que triplicaram em relação ao mesmo período de 2025.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Fumaça sobre a floresta amazônica enquanto uma aeronave atua ao longe. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Fumaça sobre a floresta amazônica enquanto uma aeronave atua ao longe.
Resumo em 30 segundos

Incêndios se intensificaram no Amazonas entre setembro e outubro e levaram à emergência em 36 municípios. Após sobrevoar áreas atingidas, o ministro do Meio Ambiente apontou sinais de ação intencional; a Polícia Civil investiga possíveis crimes ambientais. Aeronaves da FAB reforçam o combate, enquanto Manaus enfrenta fumaça e qualidade péssima do ar.

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou neste domingo (11), após sobrevoar áreas atingidas por incêndios no Amazonas, que viu sinais de que parte das chamas foi provocada de forma intencional. O fogo se intensificou entre setembro e outubro, sobretudo na Região Metropolitana de Manaus, e levou o governo estadual a decretar emergência em 36 municípios.

Capobianco disse que a situação encontrada era mais grave do que esperava. Segundo o ministro, havia focos no interior de áreas de floresta preservada, e não apenas chamas que avançaram de pastagens para a mata. Ele afirmou que esse padrão pode indicar tentativa de degradar a floresta e, depois, abrir caminho para o desmatamento. A avaliação é do ministro; a investigação de eventuais crimes cabe às autoridades competentes.

A Polícia Civil do Amazonas informou que, por meio da Delegacia Especializada em Meio Ambiente e Urbanismo, investiga possíveis crimes ambientais ligados aos incêndios. Em setembro, foram registrados 69 boletins de ocorrência relacionados a esses casos, segundo a corporação. As apurações buscam identificar eventuais responsáveis e adotar medidas legais.

O sobrevoo ocorreu na região de Autazes, um dos municípios mais atingidos, e contou também com o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, e o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Jair Schmitt. Capobianco pediu ao governo estadual que mobilize a Polícia Militar, além do Corpo de Bombeiros, para coibir ações criminosas e buscar a responsabilização dos envolvidos.

Entre 1º e 12 de outubro, o Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), registrou 1.600 eventos de fogo ativo no Amazonas. No mesmo intervalo de 2025, foram 444, alta de 260%. O painel contabiliza eventos de fogo ativo, indicador usado para acompanhar ocorrências, e não necessariamente o total de incêndios já extintos.

Desde o começo da temporada, o Ibama extinguiu 292 incêndios no estado e trabalhava no combate a outros oito, segundo o Ministério do Meio Ambiente. Já o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas contabilizou 3.558 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais entre 1º de junho e 11 de outubro. A corporação informou ter combatido 21.690 focos: 4.526 em Manaus e 17.164 no interior.

As consequências atingem municípios e moradores. Em Itacoatiara, uma força-tarefa com mais de 150 pessoas, incluindo voluntários, atuou em seis pontos; mais de 2.000 hectares foram queimados, segundo a prefeitura. Em Careiro da Várzea, famílias deixaram suas casas com a aproximação das chamas, e a prefeitura contratou caminhões-pipa. Em Boa Vista do Ramos, mais de 200 voluntários trabalhavam na contenção do fogo, de acordo com a administração municipal.

Manaus voltou a ficar encoberta por fumaça nesta segunda-feira (12), pelo quinto dia seguido. O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental da Universidade do Estado do Amazonas registrou qualidade péssima do ar em diversos pontos. Em uma estação, a concentração de material particulado chegou a 219 microgramas por metro cúbico; a qualidade é considerada boa quando o índice fica em até 25 microgramas por metro cúbico. Essas partículas podem ser inaladas junto com a fumaça.

Duas aeronaves KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira chegaram a Manaus na noite de domingo para reforçar a resposta. Uma transporta equipamentos e materiais; a outra pode lançar água sobre as áreas atingidas por meio do Sistema Modular Aerotransportado de Combate a Incêndios, equipamento instalado no avião. Para esta segunda-feira estavam previstas três decolagens de cerca de duas horas, com lançamento aproximado de 12 mil litros de água por saída. Ao todo, o governo federal mobiliza 11 aeronaves.

O governo do Amazonas proibiu o uso do fogo por 120 dias a partir de decreto estadual publicado em 9 de setembro, com exceções previstas em lei, e contratou 153 brigadistas florestais. A gestão também declarou emergência em 36 municípios, diante de condições climáticas com previsão de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas, associadas aos efeitos do El Niño. O reconhecimento federal da emergência foi oficializado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, medida que permite direcionar recursos da União para enfrentar a crise.

Em Itacoatiara, o coordenador municipal da Defesa Civil, Hekney Rebouças, pediu que moradores não usem fogo para preparar roças durante a estiagem, que, segundo ele, deve se prolongar até dezembro. A prefeitura também identificou uma área de desmatamento ilegal e apreendeu uma roçadeira e outros materiais. As ações de fiscalização e combate seguem em diferentes pontos do estado.

Para entender

Painel do Fogo
Ferramenta do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia que acompanha eventos de fogo ativo. O registro de um evento é um indicador de ocorrência e não equivale necessariamente ao total de incêndios já extintos.
El Niño
Fenômeno climático natural associado ao aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial. Seus efeitos podem alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões, mas variam conforme o local e o período.

Fontes: Folha de S.Paulo, O Globo

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