Governo francês anuncia toques de recolher após protestos
As restrições começam nesta segunda à noite; a lista de cidades será divulgada após consultas locais, enquanto Marselha já limitou aglomerações.
Resumo em 30 segundos
O governo francês anunciou toques de recolher parciais para conter distúrbios após protestos contra o custo de vida que terminaram em saques e confrontos. As áreas afetadas ainda serão divulgadas. Marselha já proibiu manifestações e aglomerações em parte do dia, e Denain decretou restrição noturna até domingo.
O governo francês anunciou toques de recolher parciais a partir da noite desta segunda-feira (19) para conter os distúrbios que se espalharam pelo país durante protestos contra o aumento do custo de vida. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, após uma reunião de crise; a relação de cidades afetadas deve ser divulgada ainda hoje, depois de consultas com autoridades locais.
As manifestações do fim de semana reuniram centenas de milhares de pessoas e foram seguidas por saques, incêndios e confrontos em várias cidades. Os balanços publicados divergem: uma estimativa aponta entre 550 mil e 800 mil participantes, enquanto os registros de detenções variam de cerca de 2.400 a mais de 2.500. Também há relatos de quase mil agentes de segurança feridos. Um manifestante morreu.
Algumas restrições já foram anunciadas. Em Marselha, manifestações e aglomerações foram proibidas entre meio-dia e 20h desta segunda-feira. Denain, perto da fronteira com a Bélgica, decretou toque de recolher noturno até domingo. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, disse que as medidas não afetarão a partida entre Paris Saint-Germain e Barcelona, marcada para terça-feira, na capital, pela Liga dos Campeões.
Lecornu descartou, por enquanto, decretar estado de emergência, como pediu Bruno Retailleau, líder do partido conservador Republicanos. O premiê avaliou que os toques de recolher são uma resposta mais adequada à situação. A medida restringe a circulação em determinados horários e locais; sua aplicação depende das decisões das autoridades responsáveis por cada área.
O presidente Emmanuel Macron reconheceu falhas na gestão policial dos distúrbios e ordenou uma revisão das medidas de segurança. Ele pediu novos procedimentos para impedir barricadas e saques, mas rejeitou o pedido de demissão apresentado por Nuñez. O ministro afirmou que a polícia perdeu o controle em algumas cidades e que cerca de 60 mil policiais e agentes mobilizados no sábado não foram suficientes para conter os grupos violentos.
Em Paris, estudantes bloquearam o acesso ao Museu do Louvre, que permaneceu fechado nesta segunda-feira. A mobilização foi liderada por alunos da École du Louvre, segundo a direção e sindicatos da instituição; estudantes também organizaram concentrações e bloqueios na Sciences Po. O movimento ocorre em meio a protestos estudantis e a reivindicações contra o custo de vida e a deterioração dos serviços públicos. Macron pediu que os manifestantes pacíficos não sejam confundidos com os responsáveis pelos atos de violência.