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Domingo, 18 de outubro de 2026

França contabiliza danos após distúrbios em protestos por custo de vida

Ao menos 1.800 pessoas foram presas e 1.500 estabelecimentos tiveram danos; Emmanuel Macron fará um pronunciamento neste domingo após reunião com integrantes do governo.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Rua francesa com carro queimado, vitrines quebradas e restos de barricada após os distúrbios. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Rua francesa com carro queimado, vitrines quebradas e restos de barricada após os distúrbios.
Resumo em 30 segundos

A França avalia os estragos causados por distúrbios e saques durante protestos contra o custo de vida. Houve ao menos 1.800 detenções, incluindo 855 em Paris, e 1.500 estabelecimentos foram danificados. O presidente Emmanuel Macron deve se pronunciar neste domingo, enquanto seguem as investigações sobre os atos de violência.

A França contabilizou neste domingo os danos de distúrbios e saques ocorridos na véspera durante protestos contra o custo de vida. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, informou que ao menos 1.800 pessoas foram presas em todo o país; em Paris, foram 855 detenções, número recorde na cidade.

As manifestações reuniram entre 550 mil e 800 mil pessoas, conforme estimativas do governo e da principal central sindical francesa, a CGT, respectivamente. Embora muitas marchas tenham sido pacíficas, grupos de jovens mascarados incendiaram veículos, ergueram barricadas e invadiram lojas em Paris e em cidades como Marselha, Bordeaux, Nice e Estrasburgo.

A Federação de Comércio e Distribuição calculou que pelo menos 1.500 estabelecimentos foram danificados no país. Na capital, vitrines quebradas, carros queimados e restos de barricadas ficaram nas ruas. Em Lyon, as autoridades registraram 160 detenções; em Paris, mais de 500 pessoas ainda permaneciam presas neste domingo, entre elas 171 menores de idade.

Em Limoges, no centro-oeste francês, um incêndio destruiu a prefeitura, um prédio do século XIX. O fogo foi controlado durante a madrugada. O prefeito afirmou que o incêndio foi provocado deliberadamente. A vice-prefeita de Paris, Lamia El Aaraje, disse que a cidade viveu um nível de violência que, na avaliação dela, nunca havia sido visto.

O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, afirmou que 150 policiais e integrantes da gendarmaria ficaram feridos no país. Em Saint-Étienne, um jovem de 17 anos perdeu uma das mãos após a explosão de uma granada lançada pelas forças de segurança. Durante os confrontos, a polícia usou gás lacrimogêneo e jatos d’água, enquanto manifestantes lançaram projéteis e fogos de artifício.

O presidente Emmanuel Macron faria um pronunciamento às 15h, no horário de Brasília, depois de se reunir com o primeiro-ministro e outros integrantes do governo. A onda de violência aumentou a pressão sobre o presidente, que também enfrenta manifestações estudantis nas últimas semanas. Os protestos recentes incluem queixas sobre inflação, preços dos combustíveis, condições das escolas e falta de professores.

O movimento dos “coletes amarelos”, que ganhou força oito anos atrás em oposição a um aumento previsto de imposto sobre combustíveis, convocou a mobilização de sábado com o lema “Amarelos e Jovens”. A pauta atual se ampliou para incluir o custo de vida e a deterioração dos serviços públicos. A inflação na Europa também é afetada pela guerra no Oriente Médio, segundo o relato sobre as razões econômicas citadas pelos manifestantes.

Integrantes do governo de Macron e a líder da extrema direita, Marine Le Pen, atribuíram a violência a grupos de extrema esquerda. O líder do partido A França Insubmissa, que apoiou as mobilizações, afirmou que os responsáveis por saques não representam a luta dos manifestantes. El Aaraje, socialista, acusou o Reagrupamento Nacional, partido de Le Pen, de aumentar as tensões em torno dos protestos; a legenda não teve uma resposta citada sobre essa crítica.

Nuñez disse que as investigações continuam para identificar os autores dos atos e levá-los à Justiça. O governo também enfrenta cobranças por medidas para conter os prejuízos e responder às queixas sociais que motivaram as manifestações.

Para entender

Coletes amarelos
Movimento de protesto que ganhou força na França em 2018, inicialmente contra um aumento previsto de imposto sobre combustíveis. O nome vem dos coletes de alta visibilidade usados por seus participantes. As mobilizações passaram a reunir reivindicações mais amplas, ligadas ao custo de vida e a serviços públicos.

Fontes: Zero Hora, O Globo, Valor Econômico

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