FMI e Argentina acertam parcela de US$ 900 milhões do crédito
O desembolso do FMI à Argentina integra o programa de US$ 20 bilhões de Javier Milei e depende de aval do conselho executivo, previsto para dezembro.
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Uma missão técnica do FMI e o governo argentino chegaram a um acordo para liberar cerca de US$ 900 milhões dentro do programa de crédito de quatro anos. A parcela não é um empréstimo separado e ainda depende da aprovação do conselho executivo do Fundo, prevista para o início de dezembro.
Uma missão técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI) e o governo da Argentina chegaram a um acordo para liberar cerca de US$ 900 milhões ao país. O desembolso integra o programa de crédito de quatro anos negociado com o governo de Javier Milei e ainda precisa ser aprovado pelo conselho executivo do Fundo, em uma reunião prevista para o início de dezembro.
O programa, conhecido como Acordo de Facilidades Estendidas (EFF, na sigla em inglês), foi aprovado há um ano e prevê US$ 20 bilhões em crédito. A nova parcela faz parte desse compromisso, não de um empréstimo separado. O acordo entre a missão técnica e as autoridades argentinas é uma etapa da revisão do programa; a liberação dos recursos depende da decisão do conselho.
Ao comentar as conversas nesta quinta-feira, a porta-voz do FMI, Julie Kozack, afirmou que a Argentina deve usar os ganhos da estabilização financeira para ampliar investimentos e criar empregos. Segundo ela, as equipes do Fundo e do governo concordaram sobre a necessidade de transformar os avanços obtidos até agora em crescimento mais forte e geração de trabalho.
Kozack avaliou que o desempenho macroeconômico argentino tem sido “impressionante”. O Fundo tem apoiado as medidas de ajuste das despesas públicas adotadas pelo governo Milei, mas reconhece que elas ainda não resultaram em aumento do emprego. A União Industrial Argentina informou recentemente a perda de cerca de 90 mil postos de trabalho desde agosto de 2023.
A porta-voz disse que o país conteve a inflação e o déficit público, mas precisa elevar o investimento privado e fortalecer a demanda interna. Também defendeu maior flexibilidade no mercado de trabalho como forma de apoiar contratações no setor privado e pediu avanço em concessões de infraestrutura já concedidas.
Segundo Kozack, projetos de infraestrutura aprovados somam mais de US$ 70 bilhões. Ela relacionou essas iniciativas às reformas trabalhistas e de mercado aprovadas no início deste ano, que, na avaliação do Fundo, podem contribuir para o crescimento e o emprego.
A porta-voz também recomendou que o governo mantenha a execução do programa, especialmente no que diz respeito à acumulação de reservas internacionais líquidas. A orientação foi dada diante da possibilidade de aumento do risco-país, indicador que reflete a percepção dos investidores sobre o risco de emprestar a um governo. Reservas internacionais são ativos mantidos pelo banco central e ajudam o país a cumprir pagamentos externos e enfrentar períodos de pressão financeira.
Para entender
- Acordo de Facilidades Estendidas
- O Acordo de Facilidades Estendidas, conhecido pela sigla EFF, é uma modalidade de crédito do FMI destinada a apoiar países com dificuldades econômicas estruturais. Os empréstimos são vinculados a programas econômicos e a revisões periódicas, que podem condicionar novos desembolsos.