Pular para o conteúdo
Quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Flávio Dino manda PF investigar suspeita de interferência dos EUA

A apuração deve verificar possível financiamento estrangeiro para favorecer Flávio Bolsonaro, além de pagamentos a perfis no exterior e manipulação de algoritmos.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Fachada do Supremo Tribunal Federal em Brasília ao anoitecer. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Fachada do Supremo Tribunal Federal em Brasília ao anoitecer.
Resumo em 30 segundos

Flávio Dino determinou que a Polícia Federal investigue suspeitas de financiamento estrangeiro e interferência nas eleições brasileiras para favorecer Flávio Bolsonaro. A apuração inclui possíveis vínculos com a Rockbridge Network, empresários e publicações pagas por perfis no exterior. A decisão não confirma irregularidades; cabe à PF verificar se houve recursos e quem participou.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou nesta terça-feira, 27, que a Polícia Federal investigue suspeitas de financiamento estrangeiro de campanhas e de interferência nas eleições brasileiras para favorecer Flávio Bolsonaro (PL). A apuração deve examinar possíveis ligações com a Rockbridge Network, grupo conservador dos Estados Unidos, e com os empresários Tallis Gomes e Pedro Sang, apontados como apoiadores do candidato.

A decisão de 38 páginas foi tomada em um processo apresentado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), em junho de 2024, sobre a possibilidade de municípios brasileiros recorrerem diretamente à Justiça estrangeira em casos ligados às tragédias de Mariana e Brumadinho. Dino relacionou o debate à defesa da soberania nacional, mas rejeitou um pedido do PT para ingressar no processo como terceiro interessado. Segundo o ministro, as suspeitas eleitorais devem ser examinadas em procedimentos próprios.

O pedido do PT mencionou alegações de que a Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, teria desabilitado a conta de anúncios do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha. A empresa nega irregularidades. Também foram consideradas alegações de Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão, sobre possível financiamento estrangeiro da campanha de Flávio.

A Polícia Federal deverá rastrear a origem e o destino de eventuais recursos e apurar se houve fornecimento de dinheiro, serviços ou outras vantagens à campanha. A investigação também deve verificar possíveis interesses de agentes estrangeiros na exploração de terras raras e minerais críticos no Brasil, além de eventual manipulação de algoritmos por plataformas digitais para beneficiar Flávio ou prejudicar Lula.

Dino determinou ainda que sejam identificados os responsáveis por pagamentos e contratações de publicidade eleitoral atribuída a perfis sediados no exterior, bem como a origem dos valores e eventual participação consciente de pessoas ou entidades no Brasil. A decisão cita publicações favoráveis a Flávio que teriam usado previsões da Polymarket sem informar quem pagou ou quanto foi gasto.

A Polymarket é uma plataforma americana de previsões sobre acontecimentos futuros, que utiliza criptomoedas. Desde abril de 2024, a empresa está proibida de oferecer e divulgar seus serviços no Brasil. A decisão de Dino não afirma que as suspeitas foram comprovadas: cabe à investigação apurar se houve pagamentos, quem os realizou e se a campanha tinha conhecimento deles.

A Rockbridge Network é descrita na decisão como uma rede privada de influência e financiamento político conservador nos Estados Unidos. O despacho menciona a possibilidade de recursos da organização terem sido direcionados à campanha de Flávio e aponta Tallis Gomes e Pedro Sang como possíveis intermediadores. Essas referências são hipóteses a serem investigadas, não conclusões sobre a ocorrência de financiamento ilegal.

Tallis afirmou que não ocupa função de gestão, direção ou representação na Rockbridge, não integrou a campanha de Flávio nem participou de arrecadação eleitoral ou de intermediação de recursos políticos. Ele também disse que suas manifestações sobre eleições expressam opiniões pessoais e que está disponível para prestar esclarecimentos às autoridades. A decisão não apresenta uma manifestação de Sang ou da Rockbridge.

Ao justificar a investigação, Dino afirmou que não se trata apenas do exercício individual da liberdade de expressão, mas da possibilidade de uso da atividade partidária em favor de interesses estrangeiros. O ministro também sustentou que o Estado tem o dever de proteger a democracia, a soberania popular e a liberdade de escolha dos eleitores.

O processo do Ibram trata de outra questão relacionada à soberania: se municípios podem buscar diretamente tribunais estrangeiros em disputas sobre Mariana e Brumadinho. As barragens que se romperam nessas tragédias provocaram mortes e danos ambientais em Minas Gerais. Dino citou decisões anteriores segundo as quais atos e determinações estrangeiros não produzem efeitos automáticos no Brasil sem previsão nas normas brasileiras ou decisão da autoridade judicial competente.

Para entender

Rockbridge Network
Rede privada dos Estados Unidos descrita como ligada à influência e ao financiamento político conservador. A decisão cita a possibilidade de recursos da organização terem sido destinados à campanha de Flávio Bolsonaro, hipótese que a investigação deverá apurar.
Polymarket
Plataforma americana de previsões sobre acontecimentos futuros que utiliza criptomoedas. A decisão menciona publicações eleitorais favoráveis a Flávio que teriam usado previsões da plataforma sem identificar quem pagou por elas.

Fontes: Estadão

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

Leia também