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Quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Flávio Bolsonaro anuncia oposição a Lula a partir dos EUA

Em carta, senador contesta o resultado das eleições e promete divulgar planos de mobilização nos próximos dias; sua autorização de entrada nos EUA vale por um ano.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Flávio Bolsonaro fala em um evento público, com uma bandeira dos Estados Unidos desfocada ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Flávio Bolsonaro fala em um evento público, com uma bandeira dos Estados Unidos desfocada ao fundo.
Resumo em 30 segundos

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil e anunciou que pretende liderar a oposição ao governo Lula a partir dos Estados Unidos. Em carta, contestou o resultado das eleições e fez acusações de fraude, sem apresentá-las como conclusões de órgãos oficiais. O senador tem autorização temporária para permanecer nos EUA até outubro de 2027.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está nos Estados Unidos desde terça-feira, depois de deixar o Brasil pela região da Tríplice Fronteira, e anunciou que pretende liderar a oposição ao governo Lula a partir do território americano. Em carta publicada nesta quarta-feira, ele contestou o resultado das eleições presidenciais e afirmou que divulgará planos de mobilização nos próximos dias.

Flávio saiu do país depois de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a entrega de seus passaportes brasileiros. O senador não tinha mandado de prisão em aberto, mas os documentos foram cancelados. Ele também é alvo de dois inquéritos no STF relacionados a suspeitas de lavagem de dinheiro.

Na carta, o parlamentar afirmou que não fugiu e justificou a ida aos Estados Unidos como uma forma de exercer sua liderança política. Ele alegou que o Brasil vive um regime de exceção e disse temer apreensão de documentos, uso de tornozeleira eletrônica e eventual prisão. Também questionou a legitimidade do resultado eleitoral e atribuiu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva a supostas irregularidades.

Flávio acusou o Judiciário de atuação ilegítima e alegou que houve fraude eleitoral. Entre os pontos que levantou, questionou uma decisão do STF sobre o horário de votação e afirmou que a máquina pública teria sido usada em favor da chapa governista. Defendeu que, em sua avaliação, esses fatos justificariam a cassação dos mandatos do presidente e do vice. As alegações são do senador e não foram apresentadas como decisões de órgãos eleitorais ou judiciais.

O parlamentar afirmou que pretende falar regularmente com os brasileiros e apresentar medidas para mobilizar a oposição. Disse que usará meios que considera pacíficos e legítimos para impedir o que descreveu como a consolidação de uma ditadura. Também comparou sua situação à de figuras como Rui Barbosa e Charles de Gaulle, que atuaram no exterior em períodos de crise política.

A situação migratória de Flávio nos EUA não corresponde, até agora, à concessão de um visto previamente emitido. O registro de entrada indica a classe “DT”, uma autorização temporária concedida no próprio ponto de chegada. O documento, emitido em 28 de outubro, permite que ele permaneça no país por um ano, até 27 de outubro de 2027, mas pode ser revogado.

A autorização é geralmente concedida por razões humanitárias. Embora o Departamento de Estado americano tenha informado que concederia vistos ao senador e a seus familiares, o registro de entrada indica que esse processo ainda não havia sido concluído. Nas condições atuais, ele pode permanecer nos EUA durante o período autorizado; a entrada irregular ou o passaporte cancelado, por si só, não equivalem a uma ordem automática de deportação.

Uma eventual extradição também não ocorreria automaticamente. Brasil e Estados Unidos têm acordo sobre o tema desde 1961, mas seria necessário que a Justiça brasileira emitisse uma ordem de prisão que pudesse fundamentar um pedido. A Justiça americana teria de analisar se as acusações atendem às exigências legais para autorizar o retorno. Até a saída de Flávio, não havia mandado de prisão contra ele.

A investigação do STF apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas por meio de empresas de apostas e plataformas de pagamento ligadas a Willer Tomaz. A Polícia Federal (PF) afirmou, ao pedir a retenção do passaporte do senador, que ele teria recursos e apoio financeiro para permanecer nos Estados Unidos. Segundo a corporação, parte da estrutura poderia vir de Tomaz, suspeito de movimentar R$ 5 bilhões em plataformas de apostas. A suspeita não representa uma condenação.

O senador mantém mandato pelo Rio de Janeiro até fevereiro de 2027 e recebe salário de R$ 46.366,19. Ele não pediu licença nem indicou que abriria mão da remuneração enquanto estiver fora do Brasil. A PF sustenta que não podia impedir sua saída porque não havia ordem de prisão; a medida determinada por Moraes era o cancelamento dos passaportes brasileiros e diplomático.

A travessia teria ocorrido pela ponte Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú. Na Tríplice Fronteira, o controle de saída funciona em área integrada, com órgãos dos países reunidos no mesmo local, e nem sempre há verificação ostensiva de todos os veículos. A PF ainda apura se houve passagem por um posto migratório brasileiro; não encontrou registro formal de saída do senador e de seus familiares. Autoridades argentinas informaram que ele cruzou a ponte às 22h50 de terça-feira e apresentou passaporte italiano no aeroporto argentino pouco antes da meia-noite.

O professor de Direito Processual Penal Renato Stanziola Vieira afirmou que novas medidas judiciais são possíveis, mas dependeriam de pedidos da PF ou do Ministério Público Federal. Ele avaliou que o descumprimento da ordem de entrega do passaporte e a saída do país podem ser considerados na investigação e, em tese, fundamentar medidas adicionais, inclusive prisão preventiva. Caberá às autoridades responsáveis avaliar se há elementos para solicitar providências ao Supremo.

Fontes: O Globo, Gazeta do Povo

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