Flávio Bolsonaro segue investigado pelo STF após derrota eleitoral
O senador é alvo de dois inquéritos, sobre suspeitas ligadas a apostas e ao financiamento do filme Dark Horse, e mantém o mandato até fevereiro de 2027.
Resumo em 30 segundos
Flávio Bolsonaro continuará sob investigação no STF após perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva. Um inquérito apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas; outro investiga recursos negociados para financiar o filme Dark Horse. O senador nega irregularidades e permanece no mandato até fevereiro de 2027.
Com a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial de domingo, o senador continuará sob investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) em dois inquéritos. A disputa terminou com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio, segundo os resultados divulgados.
Um dos procedimentos apura suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de empresas de apostas e plataformas de pagamento vinculadas ao advogado Willer Tomaz. Flávio também é investigado por possível participação na captação de recursos para financiar Dark Horse, filme sobre a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A investigação sobre apostas está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. O caso começou com uma apuração da Polícia Federal (PF) no Rio Grande do Sul e foi encaminhado ao STF depois que os investigadores encontraram referências ao senador, que tem foro por prerrogativa de função.
Na sexta-feira, Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e valores relacionados a Willer, além da quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial do advogado. O ministro também suspendeu atividades financeiras e empresariais de companhias ligadas a ele e adotou medidas referentes a seus passaportes.
A PF apontou indícios de movimentações suspeitas e possíveis tentativas de ocultar recursos por meio de empresas do setor de apostas. Entre os elementos que busca esclarecer está uma conta da Alcazar Holdings, ligada a Willer, na qual Flávio aparecia com acesso privilegiado, identificado como “master”. A defesa do senador nega que ele pudesse movimentar dinheiro da conta.
Os investigadores também analisam registros de viagens, encontros e relações comerciais entre Flávio e o advogado. Uma das contas examinadas registrou cerca de R$ 130 milhões em operações entre março e maio de 2025. A apuração busca determinar a origem e o destino dos valores e esclarecer se houve movimentação financeira do senador.
Willer contesta as medidas judiciais e afirma que elas representam uma devassa indiscriminada em sua vida pessoal e profissional. Seus advogados dizem que o bloqueio de até R$ 6 bilhões é desproporcional e não corresponde ao patrimônio dele. Flávio nega irregularidades e afirma que sua relação com o advogado é apenas pessoal.
O segundo inquérito, relatado pelo ministro André Mendonça, investiga a obtenção de recursos junto ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para viabilizar Dark Horse. Mensagens e áudios analisados pela PF indicam tratativas entre Flávio e Vorcaro sobre o financiamento; os investigadores apuram a origem dos valores e a estrutura das operações, inclusive para verificar se houve lavagem de dinheiro.
Na semana passada, a PF pediu mais 90 dias para concluir esse inquérito. A corporação afirmou que precisa realizar outras diligências, incluindo análises financeiras e a obtenção de informações por meio de cooperação internacional. Flávio nega ter cometido irregularidades e sustenta que os recursos negociados para o filme eram privados.
A derrota eleitoral não interrompe automaticamente as apurações. Flávio permanecerá no Senado até fevereiro de 2027, quando termina seu mandato, mas a competência do STF após esse período dependerá de os fatos investigados atenderem aos critérios de foro por prerrogativa de função.
Em março de 2025, o Supremo decidiu que investigações e ações penais sobre crimes supostamente cometidos durante o exercício de um cargo e em razão das funções podem continuar na Corte mesmo depois que a autoridade deixa o posto. A regra alterou o entendimento anterior, que previa, em geral, o envio dos casos à primeira instância após o fim do mandato. O tribunal complementou a decisão em maio deste ano.