Flávio Bolsonaro aciona TSE por canal Exército do Lula
O ministro Kassio Nunes Marques deu 24 horas para a Meta explicar o funcionamento do canal e pediu informações também ao Google e ao X.
Resumo em 30 segundos
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, pediu à Meta um relatório técnico sobre o canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, após reclamação da campanha de Flávio Bolsonaro. Google e X também deverão informar se identificaram ações coordenadas. O ministro decidirá sobre a permanência do canal após analisar as informações e se reunir com a empresa.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, deu nesta quinta-feira (22) prazo de 24 horas para a Meta apresentar um relatório técnico sobre o canal “Exército do Lula”, no WhatsApp. A medida atende a uma reclamação da campanha de Flávio Bolsonaro, que aponta possível coordenação de atividades e amplificação artificial de conteúdos ligados ao canal, administrado pelo deputado federal André Janones.
O documento deverá detalhar se houve sincronização de ações entre contas, canais e plataformas, além de informar padrões de alcance, engajamento e compartilhamento. Nunes Marques também pediu dados sobre a circulação de mensagens, inclusive as encaminhadas, modificadas ou excluídas, a eventual contratação de publicidade e as medidas adotadas pela empresa para cumprir seu plano de conformidade eleitoral.
O ministro afirmou que só decidirá se o canal continua no ar depois de analisar as informações da Meta. “Nesse tipo de ação, não tem como decidir sem ouvir a explicação. É preciso primeiro ouvir a plataforma antes de tomar uma decisão”, disse. Ele marcou uma reunião para sexta-feira (23) com representantes da empresa e ministros do TSE, quando pretende obter mais detalhes sobre o funcionamento do canal.
A campanha de Flávio também questiona supostas ações coordenadas em outras plataformas. Em sua decisão, Nunes Marques solicitou ao Google informações sobre possível amplificação organizada de termos e hashtags em buscas em alta, sugestões de pesquisa e assuntos do momento entre 18 e 20 de outubro. O X também deverá informar se identificou ações coordenadas com hashtags, segundo uma das decisões sobre o caso.
A equipe de Flávio afirma que a mobilização no canal poderia influenciar sistemas de recomendação e buscas. Entre os exemplos citados no processo está uma alegada orientação para que participantes pesquisassem no Google a frase “Bolsonaro mandou matar Lula”. A campanha também questiona a falta de informações sobre os critérios usados pela Meta ao concluir anteriormente que não havia irregularidades.
Com mais de oito milhões de participantes, o canal reúne mensagens de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva. Nunes Marques havia determinado o bloqueio da ferramenta após o primeiro turno, mas a medida foi revertida pelo ministro Villas Boas Cueva, relator do processo. A decisão sobre a permanência do canal dependerá da análise do relatório e da reunião com a Meta.
O caso ocorre a poucos dias do segundo turno, marcado para domingo (25). O pedido de informações não determina, por si só, que a plataforma seja bloqueada: o relatório técnico deverá esclarecer se houve atividade coordenada e se as regras eleitorais foram cumpridas antes de o presidente do TSE decidir sobre o canal.
Para entender
- TSE
- O Tribunal Superior Eleitoral é o órgão máximo da Justiça Eleitoral brasileira. Entre suas atribuições estão organizar as eleições e julgar questões relacionadas ao processo eleitoral, incluindo disputas sobre propaganda e condutas de campanhas.