Lula compara apoiadores ao exército do Vietnã que derrotou os EUA
A fala ocorreu em Belo Horizonte enquanto o TSE discutia barrar canais políticos do WhatsApp com mais de 200 mil usuários nas 48 horas antes do segundo turno.
Resumo em 30 segundos
Em caminhada de campanha em Belo Horizonte, Lula comparou seus apoiadores ao exército vietnamita que derrotou os Estados Unidos. No mesmo dia, veio a público uma proposta discutida no TSE para restringir canais políticos de WhatsApp com mais de 200 mil usuários nas 48 horas anteriores à votação. A medida pode ficar para eleições futuras.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou seus apoiadores ao exército vietnamita que derrotou os Estados Unidos durante uma caminhada de campanha em Belo Horizonte, nesta quarta-feira. A declaração ocorreu no mesmo dia em que veio a público a discussão, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sobre restringir canais políticos de WhatsApp perto da votação do segundo turno, marcada para domingo, 25.
“Eles pensam que nós somos fracos, mas nós somos que nem o exército do Vietnã que derrotou os Estado Unidos”, afirmou Lula. No ato, ele também citou o deputado federal André Janones, responsável pela administração do canal “Exército do Lula”, e o governador do Piauí, Rafael Fonteles, que coordena a comunicação da campanha presidencial após o primeiro turno.
“ O general Janones e o marechal Silva, nós vamos comandar essa derrota do exército adversário. Podem ficar tranquilos”, disse o presidente. Em publicação nas redes sociais, Lula apareceu ao lado de Janones e Fonteles e afirmou que passaria a integrar o grupo de apoiadores a partir de quinta-feira. Ele também contou que ganhou um celular de presente de Fonteles.
A proposta discutida no TSE previa impedir, nas 48 horas anteriores à eleição, o funcionamento de canais de WhatsApp com conteúdo político e mais de 200 mil usuários. O canal “Exército do Lula” ultrapassou 7 milhões de inscritos. A medida também alcançaria a “Tropa do Flávio”, canal de apoio ao senador Flávio Bolsonaro, que reúne cerca de 2 milhões de usuários.
O texto em análise foi elaborado pelo ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE. O presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, afirmou que não pretende levar o tema a uma discussão antes do segundo turno e que a análise deve ficar para eleições futuras. A mudança dependeria de deliberação colegiada, e não poderia ser adotada por decisão de um único ministro.
A eventual restrição gerou questionamentos de juristas, pesquisadores e representantes da sociedade civil. Em nota técnica enviada ao tribunal, 110 signatários disseram que bloquear os canais perto da votação restringiria a comunicação política e poderia alterar as condições da disputa. Eles contestaram a comparação entre canais gratuitos e o impulsionamento pago, serviço contratado para ampliar artificialmente o alcance de conteúdo.
Os signatários afirmaram que os canais chegam a usuários que optaram por acompanhá-los e citaram a resolução do TSE sobre propaganda eleitoral, que reconhece a licitude da divulgação orgânica em perfis e canais de grande audiência. Segundo eles, eventuais irregularidades podem ser fiscalizadas sem proibir uma categoria inteira de comunicação política. A discussão sobre uma regra para eleições futuras permanece sob responsabilidade dos integrantes do tribunal.