Samarco investe R$ 13,8 bilhões e prevê 4 mil contratações em 2027
O presidente Rodrigo Alvarenga Vilela diz que a mineradora quer atingir a capacidade máxima em março de 2028 e espera voltar ao lucro naquele ano.
Resumo em 30 segundos
A Samarco planeja investir R$ 13,8 bilhões até 2031 e contratar cerca de 4 mil pessoas em 2027 para ampliar a produção. A empresa prevê chegar à capacidade máxima, de 25 milhões a 26 milhões de toneladas de finos e pelotas, em março de 2028. O presidente Rodrigo Alvarenga Vilela também espera que a companhia volte ao lucro naquele ano.
A Samarco prevê investir R$ 13,8 bilhões até 2031 para ampliar a produção e chegar à capacidade máxima em março de 2028, afirmou o presidente da empresa, Rodrigo Alvarenga Vilela. O plano inclui contratar cerca de 4 mil pessoas em 2027, entre empregados diretos e contratados, e aposta na demanda por pelotas de minério de ferro, usadas na produção de aço com menor emissão de carbono.
A companhia estima produzir de 25 milhões a 26 milhões de toneladas de finos e pelotas quando atingir a capacidade máxima. Segundo Vilela, a previsão é encerrar 2026 dentro do cronograma e do orçamento. O executivo afirmou que 2027 será um período de investimentos intensos e que a Samarco espera passar do prejuízo ao lucro em 2028.
A estratégia é avançar com a retomada apesar da pressão sobre o mercado de minério de ferro. A empresa trabalha com uma cotação próxima de US$ 90 por tonelada até 2027, conforme a referência Platts, e prevê preços deprimidos em seus orçamentos para 2027 e 2028. Vilela relacionou a queda à redução do consumo de aço na China, ao aumento dos estoques no país e à expansão da oferta por grandes produtores.
O presidente disse que o cenário também eleva custos, em especial com o petróleo e o frete, e reduz receitas. Mineradoras com custos mais altos já estão interrompendo operações no Brasil, afirmou. A Samarco, porém, considera que o aumento do prêmio das pelotas — valor adicional em relação ao preço de referência do minério — ajuda a compensar parte da queda de preços e dos custos de transporte.
A oferta de pelotas do Oriente Médio foi afetada pela guerra na região, segundo Vilela, o que contribuiu para elevar esse prêmio. A companhia também aposta no uso do produto por siderúrgicas que buscam reduzir as emissões na fabricação de aço. Na entrevista, o executivo afirmou que a pelota pode gerar até 70% menos emissões de carbono do que o sinter feed convencional, um minério de ferro em pó fino usado na produção siderúrgica.
A demanda por produtos que reduzam as emissões pode crescer com projetos de descarbonização já em desenvolvimento e com exigências regulatórias ou compromissos ambientais de clientes, disse Vilela. A Samarco não é classificada como produtora de mineral crítico, mas o executivo considera que sua cadeia tem importância para a transição energética da siderurgia. A empresa espera que esse movimento sustente o mercado de pelotas, sobretudo a partir de 2029 e 2030, quando pretende operar com toda a cadeia produtiva.
Além da China, a Samarco vê oportunidades na Índia, em mercados emergentes e nos Estados Unidos. Vilela afirmou que a política do presidente Donald Trump de fortalecer a indústria de base americana tem favorecido fornecedores brasileiros, que, segundo ele, são mais competitivos que os chineses para atender o mercado dos Estados Unidos, em parte pela distância. A empresa já percebeu aumento da procura americana por pelotas.
O investimento na retomada será feito principalmente com recursos próprios da Samarco, segundo o presidente, que também mencionou dinheiro em caixa e linhas de crédito disponíveis. A empresa avalia renegociar seus títulos de dívida, conhecidos como bonds, e fazer uma nova emissão, mas Vilela disse que essa possibilidade ainda está em estudo. Na reparação, quando a Samarco não consegue fazer os aportes, Vale e BHP fornecem os recursos, convertidos em aumento de capital da mineradora.
Vilela afirmou que o acordo de reparação de Mariana reduziu os riscos jurídicos e ampliou a previsibilidade financeira da Samarco, da Vale e da BHP. O instrumento reorganiza obrigações de pagamento e de execução de medidas, além de estabelecer prazos para as entregas. Segundo o executivo, 48% do valor previsto no acordo já foi investido no primeiro período, embora a execução se estenda por 20 anos.
Entre as entregas citadas por Vilela estão indenizações, obras e ações de governos e municípios, incluindo hospitais e redes de água potável e saneamento. O acordo busca organizar a reparação dos danos relacionados ao rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, e definir responsabilidades e ações para as comunidades atingidas. Para a Samarco, a redução das incertezas jurídicas também facilita o planejamento da retomada e dos investimentos.
Para entender
- Pelotas de minério de ferro
- São aglomerados produzidos a partir de minério de ferro fino e usados na fabricação de aço. Em determinadas rotas siderúrgicas, podem contribuir para reduzir as emissões em comparação com o uso de sinter feed convencional.
- Acordo de reparação de Mariana
- Instrumento que organiza obrigações de pagamento e medidas de reparação relacionadas ao rompimento da barragem de Fundão, em Mariana. O acordo estabelece responsabilidades e prazos para ações destinadas às comunidades atingidas.