Familiares fazem ato por justiça um ano após operação na Penha
A Operação Contenção deixou 122 mortos, entre eles cinco policiais; as circunstâncias das mortes seguem sob investigação e há denúncias contra 28 PMs.
Resumo em 30 segundos
Familiares, moradores e movimentos sociais participaram de um ato na praça São Lucas, na Penha, um ano após a operação policial que deixou 122 mortos. A mobilização homenageou as vítimas e cobrou justiça. O Ministério Público denunciou 28 policiais militares, enquanto a investigação sobre as mortes continua.
Familiares de vítimas da Operação Contenção fizeram nesta quarta-feira (28) um ato por justiça na praça São Lucas, no Complexo da Penha, zona norte do Rio de Janeiro, um ano após a ação policial que deixou 122 mortos. A manifestação homenageou as vítimas e cobrou respostas sobre as circunstâncias das mortes, que seguem sob investigação.
A operação ocorreu em 28 de outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, em uma ofensiva contra o Comando Vermelho. Entre os mortos estavam 117 civis e cinco policiais. Wellington Brito dos Santos, de 20 anos, era um dos civis mortos. Seu pai, Tauã Brito, retornou ao local para participar da mobilização organizada pela Frente Penha, coletivo de moradores e organizações da região.
Moradores haviam levado dezenas de corpos a essa mesma praça na manhã seguinte à operação. No ato desta quarta, familiares, moradores e integrantes de movimentos sociais soltaram balões brancos em memória das vítimas. A programação também incluiu apresentações culturais, distribuição de cestas básicas e atividades para crianças.
“Existe esperança, existem sonhos, existem crianças e jovens que precisam ser vistos por esse Estado. E hoje a gente está aqui mostrando isso”, afirmou Tauã. Ela disse que as mães buscam justiça pelos filhos e querem evitar que outras famílias passem pela mesma situação.
O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou 28 policiais militares por crimes como roubo, furto, violação de domicílio, constrangimento ilegal e irregularidades no uso de câmeras corporais. As acusações foram distribuídas em 12 ações penais e recebidas pela Justiça, mas não esclarecem as circunstâncias de todas as mortes. A investigação reúne perícias, depoimentos e milhares de horas de gravações feitas pelos agentes.
Em relatório divulgado nesta quarta-feira, a Human Rights Watch apontou falhas na preservação de provas e indícios de uso excessivo da força. A organização também identificou episódios de obstrução e manipulação das câmeras corporais. Familiares já haviam denunciado possíveis execuções e abusos; autoridades de segurança afirmaram que os mortos que não eram policiais participaram de confrontos com agentes.
A operação mobilizou cerca de 2.500 agentes das polícias Civil e Militar e provocou confrontos, bloqueios de vias e interrupção de serviços em diferentes regiões da cidade. Imagens dos corpos reunidos na praça tiveram repercussão internacional.
Integrantes de coletivos como Mães de Maio, Mães de Manguinhos e Projeto Fênix também participaram do ato. Evelin Dias, assistente social e integrante da Frente Penha, afirmou que a mobilização pretende chamar atenção para as condições de vida dos moradores e reivindicar cuidado, educação e saúde para a população das favelas.