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Segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Três líderes da Operação Contenção chegam ao Legislativo do Rio

Felipe Curi, Marcelo Menezes e Bernardo Leal foram eleitos em 4 de outubro de 2026, após a ação policial que deixou 122 mortos na Penha.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Três parlamentares vistos de costas em uma sessão numa assembleia legislativa brasileira. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Três parlamentares vistos de costas em uma sessão numa assembleia legislativa brasileira.
Resumo em 30 segundos

Um ano após a Operação Contenção, três nomes que tiveram posições de liderança na ação foram eleitos para o Legislativo. Felipe Curi conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados; Marcelo Menezes e Bernardo Leal foram eleitos para a Assembleia Legislativa do Rio. A operação deixou 122 mortos na Penha.

A Operação Contenção, realizada em 28 de outubro de 2025 no Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, deixou 122 mortos e se tornou a ação policial mais letal da história do país. Um ano depois, três participantes que ocuparam posições de liderança durante a operação foram eleitos para o Legislativo nas eleições de 4 de outubro: Felipe Curi, Marcelo Menezes e Bernardo Leal.

Curi, então secretário de Polícia Civil, conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PP, com 133.626 votos. Menezes, coronel e ex-secretário da Polícia Militar, foi eleito deputado estadual pelo PL, com 46.700 votos. Leal, delegado do PP que foi baleado durante a ação, também chegou à Assembleia Legislativa do Rio, com 57.254 votos.

A operação começou na Penha e se estendeu por mais de um dia. Em um balanço parcial, feito cerca de sete horas após o início, as autoridades contabilizavam 18 suspeitos mortos, 81 presos e dois policiais civis mortos. Os confrontos continuaram durante a tarde e a noite, e corpos foram encontrados em uma área de mata na madrugada seguinte. O total final foi de 122 mortos.

Naquele dia, o então governador Cláudio Castro (PL) criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), as forças federais e o Ministério da Defesa. Também chamou de “maldita” a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que estabeleceu regras mais rigorosas para operações policiais em comunidades. Lula classificou a ação como “matança” e “desastrosa”, enquanto Castro a descreveu como um sucesso.

A decisão mencionada integra a ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas. A ação foi apresentada pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) durante o governo de Jair Bolsonaro. Em 2025, o STF definiu exigências para operações, entre elas a presença de ambulâncias para resgates, o uso de câmeras corporais e a realização ágil de autópsias. A ADPF é uma ação judicial usada para pedir ao Supremo que impeça ou repare violações de preceitos fundamentais.

Autoridades policiais e políticos atribuíram à decisão judicial mudanças na atuação das facções e a expansão de barricadas. Dados citados no debate, porém, indicavam redução de mortes em confrontos e da letalidade policial. A operação também retomou discussões sobre os limites e os procedimentos das incursões policiais em áreas habitadas.

Menezes afirmou que a estratégia de comunicação da cúpula policial foi importante para influenciar a percepção pública sobre a ação. “A operação [Contenção] teve falhas, que foram inclusive objetos de estudo de caso. Mas a operação teve sucesso e a estratégia de comunicação foi determinante para que a gente pudesse conectar com a opinião pública”, disse. Ele acrescentou que disputar as narrativas fez parte da estratégia adotada.

O ex-secretário também defendeu operações desse tipo e afirmou que foram apreendidos armamentos, drogas e materiais que deram origem a apurações. Para o governo do governador eleito Douglas Ruas (PL), segundo Menezes, uma prioridade deverá ser a retomada de territórios. Ruas é ex-policial civil.

Leal foi atingido durante uma troca de tiros com integrantes do Comando Vermelho em uma área de mata. Imagens de câmeras corporais registraram o resgate e foram divulgadas pela polícia. O delegado ficou 47 dias internado e teve uma perna amputada. Durante a campanha, associou seu apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à atuação do político em favor de sua família e à mobilização por doações de sangue.

A repercussão da operação também se refletiu na campanha de outros envolvidos. A policial militar Monique Busson (PSDB), que ganhou visibilidade nas redes após participar da ação, disputou uma vaga de deputada federal, mas não foi eleita. Os três eleitos apoiavam Flávio Bolsonaro, que, no dia seguinte à operação, comentou uma fotografia de corpos enfileirados na Penha e afirmou que aquelas pessoas não voltariam a “traficar, roubar e matar”.

A operação foi tratada como um sucesso por 57% dos moradores consultados nos dias seguintes, segundo levantamento citado no debate público. Castro alcançou seus maiores índices de aprovação após a ação, mas não disputou a eleição: desistiu de concorrer ao Senado depois de prisões de aliados e foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Fontes: Folha de S.Paulo

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