Operação Dominus mira extorsão na venda de gás pelo Comando Vermelho
A Justiça autorizou o bloqueio de mais de R$ 327 milhões; quatro pessoas foram presas na ação desta quarta-feira, no Rio de Janeiro.
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A Operação Dominus investiga um esquema atribuído ao Comando Vermelho que controlaria a venda de gás e extorquiria comerciantes em comunidades do Rio. A Justiça autorizou o bloqueio de mais de R$ 327 milhões ligados a denunciados e empresas investigadas. A ação cumpre mandados de prisão e 44 medidas de busca e apreensão.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público estadual realizam nesta quarta-feira a Operação Dominus, que investiga um esquema atribuído ao Comando Vermelho de controle da venda de gás e extorsão de comerciantes em comunidades do estado. A Justiça autorizou o bloqueio de mais de R$ 327 milhões ligados a 12 denunciados e a empresas investigadas; até o momento, quatro pessoas foram presas, duas delas já estavam encarceradas.
A operação cumpre mandados de prisão e 44 medidas de busca e apreensão. As diligências se concentram em São Gonçalo, em localidades como Jardim Catarina, Trindade, Santa Luzia, Guaxindiba, Neves, Boaçu e Alcântara. Também há ações em Itaboraí, Duque de Caxias, Niterói e nos bairros do Recreio dos Bandeirantes e da Taquara, na capital.
Entre os denunciados está Edgard Alves de Andrade, conhecido como Doca, apontado na investigação como o “01” do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio. A polícia também investiga a relação entre o principal alvo do esquema comercial e lideranças do tráfico. Segundo a apuração policial, esse investigado alugava imóveis para Doca e teria ajudado o traficante a deixar o Complexo do Alemão durante uma operação realizada há um ano.
A investigação começou em 2024, após a abertura de inquérito pela Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD). De acordo com a polícia, o grupo impunha regras para a comercialização de gás em áreas sob domínio da facção: comerciantes eram obrigados a comprar de empresas ligadas à organização ou a pagar valores periódicos para manter os estabelecimentos abertos. As cobranças, chamadas de “metas do gás”, seriam feitas sob ameaça de retaliação.
A polícia afirma que o esquema restringia a escolha de fornecedores e a concorrência, além de gerar recursos para financiar a organização criminosa. A estrutura investigada teria núcleos com tarefas distintas: coordenação e contato entre operadores comerciais e integrantes da facção, logística de distribuição, cobrança e arrecadação. Também foram identificados interlocutores ligados ao controle territorial das comunidades.
Para reconstruir a atuação do grupo, os investigadores ouviram testemunhas, fizeram diligências e cruzaram informações cadastrais. Também analisaram registros de estações rádio-base, interceptações telefônicas e dados telemáticos obtidos com autorização judicial. Arquivos recuperados de aparelhos eletrônicos de um dos principais alvos teriam revelado comunicações entre responsáveis pela atividade comercial, arrecadadores e pessoas ligadas ao tráfico.
A apuração também aponta possível ocultação de patrimônio por meio de empresas e de pessoas usadas como “laranjas”. Estruturas registradas em nome de terceiros, sobretudo nos setores de distribuição de gás e construção civil, poderiam servir para movimentar recursos e esconder quem controlava ou recebia os valores. Segundo os investigadores, cruzamentos de dados financeiros, cadastrais e telemáticos indicaram movimentações incompatíveis com a renda declarada de pessoas relacionadas ao esquema.
A ação é conduzida pela DDSD e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ), com apoio de outras unidades policiais e da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE). Os mandados abrangem residências e estabelecimentos comerciais, incluindo distribuidoras e revendedoras de gás apontadas como ligadas à estrutura investigada.
Além de recolher provas e buscar outros suspeitos, a operação pretende atingir os recursos que manteriam o esquema em funcionamento. O bloqueio de ativos e o sequestro de bens impedem, enquanto vigorarem as medidas, a movimentação de patrimônio que possa estar relacionado aos crimes investigados.