Eztec suspende lançamentos até reduzir estoque de imóveis
A incorporadora fechou o terceiro trimestre com R$ 3,5 bilhões em imóveis, alta anual de 31%, e abrirá exceção para um projeto já preparado.
Resumo em 30 segundos
A Eztec não fará novos lançamentos enquanto não reduzir o estoque de imóveis, que chegou a R$ 3,5 bilhões no terceiro trimestre. A exceção será o Town Residences by Lindenberg. A empresa também pretende manter descontos e financiamento direto para vender unidades prontas, mesmo com possível redução das margens.
A Eztec encerrou o terceiro trimestre com estoque de imóveis de R$ 3,5 bilhões, alta de 31% em 12 meses, e decidiu não fazer novos lançamentos enquanto não reduzir esse volume. A exceção será o Town Residences by Lindenberg, projeto já preparado para chegar ao mercado, afirmou o presidente da incorporadora, Silvio Ernesto Zarzur, em teleconferência com analistas nesta sexta-feira (6).
Do estoque, R$ 1,1 bilhão corresponde a unidades prontas e entregues. A companhia vendeu R$ 142 milhões desses imóveis entre julho e setembro, 40% a mais que no segundo trimestre. Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores, Emílio Fugazza, 10% do valor foi pago à vista; outros 40% foram financiados diretamente pela Eztec, por meio de contratos de alienação fiduciária.
Nesse tipo de operação, o imóvel fica vinculado à dívida como garantia até a quitação do financiamento. A carteira da Eztec nessa modalidade soma R$ 801 milhões, e a empresa pretende mantê-la como instrumento para impulsionar as vendas. A incorporadora também seguirá oferecendo descontos para acelerar a saída das unidades, mesmo que isso reduza as margens, segundo Zarzur.
O presidente disse que a empresa considera o estoque no limite que aceita manter. “Enquanto não diminuir o estoque, não vamos lançar”, afirmou. Ele também avaliou que adiar a venda de um apartamento pode exigir um preço menor no futuro: “Se deixamos de vender um apartamento a R$ 15 mil por metro quadrado hoje, nós não vamos conseguir vender o mesmo apartamento por R$ 15 mil no ano que vem, nem pelo preço tem conversão”.
A execução das obras em São Paulo tem sido afetada pelo volume de chuvas associado ao El Niño, o que prejudicou o reconhecimento de receitas no trimestre. Zarzur disse que a previsão é de que a situação continue até março. Já a redução da jornada semanal de trabalho para 42 horas, prevista para começar em dezembro, deve elevar os custos da empresa, segundo o vice-presidente Marcelo Ernesto Zarzur. Ele afirmou que a Eztec pretende adotar medidas para evitar atrasos nas obras.
A companhia também mantém como objetivo vender o empreendimento corporativo Esther Towers, mas não espera concluir a operação no curto prazo. O projeto, formado por duas torres, foi alugado ao Itaú Unibanco por dez anos, com possibilidade de prorrogação automática por mais cinco. A entrega está prevista para 2027. O contrato prevê carências e descontos no início, mas Zarzur disse que deve gerar receita relevante ao longo do tempo e que a empresa buscará dar liquidez ao ativo no momento adequado.