JPMorgan muda recomendação para ações de construtoras brasileiras
Após o primeiro turno presidencial, o banco elevou Cyrela e Eztec para compra e rebaixou Cury, Direcional e Tenda para neutra, sem alterar preços-alvo.
Resumo em 30 segundos
O JPMorgan passou a preferir as ações da Cyrela e da Eztec após o primeiro turno da eleição presidencial, enquanto rebaixou Cury, Direcional e Tenda para neutra. O banco manteve estimativas e preços-alvo para dezembro de 2027. Entre os riscos para empresas de baixa renda, citou crédito mais restritivo e possível desaceleração das vendas.
O JPMorgan alterou suas recomendações para ações de construtoras brasileiras após o primeiro turno da eleição presidencial. O banco elevou Cyrela e Eztec de neutras para compra e rebaixou Cury, Direcional e Tenda de compra para neutra, diante da possibilidade de mudança de governo e de queda das taxas reais de longo prazo.
A avaliação dos analistas é que uma redução do prêmio de risco fiscal e maior confiança na combinação de políticas podem comprimir os juros reais, hoje em torno de 7,5%. Taxas menores tendem a reduzir o custo de capital das empresas e a favorecer ações mais sensíveis ao cenário econômico, perfil que, na análise do banco, beneficia Cyrela e Eztec em relação às companhias mais expostas à baixa renda.
A ordem de preferência do JPMorgan passou a ser Cyrela e Eztec com recomendação de compra; MRV, Direcional, Cury e Tenda com recomendação neutra. O banco manteve as estimativas financeiras e os preços-alvo para dezembro de 2027, enquanto aguarda mais clareza sobre as propostas econômicas e habitacionais da oposição.
Para comparar a possível reação dos papéis, o JPMorgan analisou o desempenho após o primeiro turno da eleição de 2018. Naquele ano, Cyrela e Eztec avançaram de 14% a 17% entre os dois turnos, enquanto o Ibovespa subiu 4%. Nos três meses seguintes ao primeiro turno, as ações das duas construtoras acumularam altas de 35% a 37%, ante 11% do índice.
As empresas de baixa renda tiveram desempenho mais fraco naquele período. MRV e Tenda recuaram de 8% a 9% entre os turnos; nos três meses posteriores ao primeiro turno, a MRV ainda caía 5%, e a Tenda subia 5%. A Direcional foi exceção, com alta de 5% entre os turnos e de 24% no período de três meses. A Cury não tem comparação direta, pois abriu capital em 2020.
O banco também apontou possíveis vendas de ativos como fatores específicos para Cyrela e Eztec. Em uma análise de sensibilidade, estimou que o empreendimento Pininfarina poderia ser vendido por R$ 1,4 bilhão, com dividendos superiores a R$ 1 bilhão. Para a Esther Tower, da Eztec, calculou uma venda de R$ 1,3 bilhão e dividendos acima de R$ 1,2 bilhão.
Para as construtoras voltadas à baixa renda, o JPMorgan vê riscos de desaceleração nas vendas no terceiro trimestre, em razão de critérios de crédito mais restritivos da Caixa Econômica Federal no segundo semestre. Também citou a possibilidade de inflação maior, inclusive por subsídios ao diesel e pela reforma tributária, que prevê a implantação do imposto sobre valor agregado em 2027.
O banco ainda considera que o Minha Casa, Minha Vida pode receber menos apoio de uma eventual nova administração. Na avaliação dos analistas, intervalos maiores entre revisões do programa e mudanças mais lentas nos parâmetros poderiam afetar os retornos das empresas do segmento.