Exército israelense desloca 2 mil palestinos em operação em Hebron
Moradores receberam ordem para deixar o bairro de Ein Deir Baha e não poderão voltar até o fim das ações militares ligadas ao Hamas.
Resumo em 30 segundos
O Exército israelense deslocou cerca de 2 mil palestinos de um bairro de Hebron após dois soldados morrerem em um ataque a tiros. A operação pode durar vários dias, e as forças afirmam que os moradores não poderão voltar até o fim das medidas relacionadas ao Hamas. Autoridades locais estimam que entre 150 e 250 famílias foram afetadas.
O Exército israelense deslocou cerca de 2 mil palestinos de um bairro de Hebron, na Cisjordânia ocupada, e manteve operações militares neste sábado, um dia depois de dois soldados israelenses morrerem em um ataque a tiros perto da cidade. As forças afirmaram que a ação pode durar vários dias e que os moradores não poderão voltar até que sejam concluídas as medidas relacionadas ao Hamas na região.
A retirada começou durante a madrugada, quando soldados anunciaram a ordem por alto-falantes. Moradores disseram que tiveram pouco tempo para recolher pertences e documentos. No bairro de Ein Deir Baha, edifícios desocupados foram marcados com sinais de cruz, e as ruas ficaram praticamente vazias, enquanto veículos militares circulavam pela área.
O número de famílias afetadas varia conforme as autoridades locais. O governador de Hebron, Khaled Dudin, estimou que 150 famílias foram deslocadas; o prefeito Yusef al Jababari e o ativista local Isa Amro calcularam o total em cerca de 250. Dudin afirmou que a operação atingiu aproximadamente um terço da cidade e alertou que não há garantia de que ficará restrita ao bairro onde viviam os autores do ataque.
Higazi Shawer al Tamimi, comerciante de 70 anos, contou que foi acordado por soldados e recebeu duas horas para sair de casa. Ele acusou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de usar a operação para obter apoio eleitoral. “Mas não iremos a lugar nenhum”, afirmou. O prefeito disse que pretende oferecer abrigo e ajuda às famílias deslocadas.
O ataque ocorreu na sexta-feira, quando dois palestinos dispararam contra um posto de controle nas proximidades de Hebron. Os atiradores foram mortos depois, em um confronto com as forças israelenses. O Hamas elogiou a ação e convocou novos ataques, mas não reivindicou sua autoria. A Autoridade Palestina pediu que a comunidade internacional pressione Israel para proteger os moradores e impedir novos deslocamentos.
O Exército israelense informou que realizou operações em 40 áreas da Cisjordânia entre sexta-feira e sábado e deteve cerca de 40 suspeitos. Segundo os militares, entre eles havia pessoas ligadas ao Hamas e à Jihad Islâmica, além de suspeitos de incitação, perturbação da ordem pública e lançamento de pedras. O Exército descreveu as buscas em Hebron como precisas e seletivas.
Netanyahu anunciou uma operação de maior envergadura, que comparou a ações militares não vistas desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Em entrevista ao canal israelense i24, disse que prepara uma “grande surpresa” para a Autoridade Palestina, sem detalhar o que pretende fazer. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, voltou a defender o desmantelamento da entidade, embora não haja indicação de que ela tenha ligação com o ataque.
A operação ocorre a poucos dias das eleições legislativas israelenses, marcadas para terça-feira. Pesquisas recentes indicam empate técnico entre Netanyahu e seu principal adversário, Gadi Eisenkot, ex-chefe do Exército e candidato de centro. A disputa acontece em meio ao aumento da tensão na Cisjordânia: a organização israelense de direitos humanos Yesh Din contabilizou 672 incidentes de violência atribuídos a colonos nos últimos 26 dias, metade deles durante a colheita de azeitonas palestinas.
Para entender
- Cisjordânia
- Território palestino situado a oeste do rio Jordão, ocupado por Israel desde 1967. A região abriga cidades palestinas, assentamentos israelenses e áreas sob diferentes níveis de controle israelense e palestino.