Netanyahu prepara ofensiva e bloqueio na Cisjordânia após ataque
Após dois soldados morrerem em Hebron, o premiê ordena o fechamento da cidade e pede preparativos para restringir a circulação no território.
Resumo em 30 segundos
Benjamin Netanyahu ordenou o fechamento imediato de Hebron e pediu ao Exército que prepare um bloqueio total da Cisjordânia após um ataque a tiros que matou dois soldados israelenses. Ele também prometeu uma ofensiva de grande escala. A reação ocorre quatro dias antes das eleições legislativas de Israel.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou nesta sexta-feira (23) o fechamento imediato de Hebron e pediu ao Exército que prepare um bloqueio total da Cisjordânia, após um ataque a tiros contra militares israelenses na cidade. Dois soldados morreram e outros três ficaram feridos; os dois homens apontados como autores do ataque também foram mortos. O episódio ocorreu quatro dias antes das eleições legislativas israelenses, marcadas para 27 de outubro.
Netanyahu visitou Hebron, no sul da Cisjordânia ocupada, e prometeu uma ofensiva militar de grande escala, que comparou a operações não vistas desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. “As Forças de Defesa estão prontas para executá-la, e nós definiremos o momento, mas ela está a caminho”, afirmou. O premiê disse que as forças israelenses entrariam no bairro de onde vieram os atiradores, retirariam moradores, fariam buscas casa a casa e apreenderiam armas.
O ataque ocorreu pela manhã, em um cruzamento ao norte de Hebron. Segundo as informações divulgadas pelo Exército, dois homens vestidos de preto, um com fuzil e outro com pistola, dispararam contra um grupo de militares e morreram em uma troca de tiros. Os soldados mortos foram identificados como os sargentos Ron Yonatan Roytman, de 23 anos, e Yuval Shai Svilem, de 20. Três militares tiveram ferimentos leves.
O Exército anunciou operações nas casas dos suspeitos e de outras pessoas investigadas, além do isolamento do local do ataque. Netanyahu afirmou que os serviços de segurança evitaram uma ação de maior amplitude. O Hamas celebrou o ataque em comunicado, classificando-o como resposta aos atos de Israel contra palestinos, mas não reivindicou sua autoria.
O ministro da Defesa, Israel Katz, disse que moradores de bairros associados aos clãs de onde vieram os atiradores seriam retirados e que a infraestrutura considerada terrorista seria desmantelada. Clãs são famílias extensas com influência social e política em Hebron. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, afirmou ter ordenado a demolição de edifícios próximos ao local do ataque.
Hebron é dividida entre uma área sob administração palestina e outra controlada pelo Exército israelense, onde vivem colonos. Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967. Netanyahu disse que pretende aplicar um modelo semelhante ao da operação “Muro de Ferro”, iniciada em janeiro de 2025 em campos de refugiados no norte do território; segundo a ONU, aquela ofensiva deslocou à força dezenas de milhares de pessoas.
O ataque também afetou a campanha de Netanyahu, que busca um novo mandato. Ele pediu ao Likud, seu partido, que cancelasse os eventos previstos para esta sexta-feira. A ordem de preparar um fechamento total da Cisjordânia poderá restringir a circulação no território, além das medidas já anunciadas para Hebron.
Para entender
- Cisjordânia
- Território situado a oeste do rio Jordão, entre Israel e a Jordânia. Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967. A Autoridade Palestina administra algumas áreas, enquanto outras permanecem sob controle israelense.