EUA pedem que países da Otan moderem falas sobre ameaça russa
Lituânia, Letônia e Estônia estão entre os países procurados; autoridades americanas também teriam pedido comunicação ponderada a uma delegação estoniana.
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Autoridades do Departamento da Guerra dos Estados Unidos pediram a representantes de países europeus da Otan que moderem declarações sobre a ameaça russa. Entre os países mencionados estão Lituânia, Letônia e Estônia. Os contatos ocorrem enquanto o presidente Donald Trump tenta retomar negociações para um cessar-fogo na Ucrânia.
Autoridades do Departamento da Guerra dos Estados Unidos pediram a representantes de países europeus da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que moderem declarações sobre a ameaça russa, segundo relatos de pessoas informadas sobre as conversas. Entre os países que receberam os pedidos estão Lituânia, Letônia e Estônia, vizinhos da Rússia e frequentemente apontados como possíveis alvos de Moscou.
De acordo com os relatos, autoridades americanas argumentaram que declarações de líderes europeus podem prejudicar a segurança do continente. Elbridge Colby, subsecretário da Guerra para Assuntos Políticos dos EUA, estaria entre os responsáveis pelos contatos. O Departamento da Guerra não confirmou os pedidos e afirmou que não comentaria alegações sobre conversas privadas entre aliados.
Uma autoridade europeia relatou que os americanos transmitiram a mensagem de que estavam ajudando os aliados e mantendo presença, mas pediram que evitassem declarações públicas em tom elevado. Em uma reunião recente, integrantes do Pentágono também teriam aconselhado uma delegação estoniana a adotar uma comunicação “ponderada”.
Em conversa com uma autoridade de um país báltico, Colby teria criticado o que chamou de “provocações” e citado a descrição da Rússia como “encurralada como um rato”. A frase pode se referir a um comentário feito no fim de setembro pelo primeiro-ministro da Estônia, Kristen Michal, que comparou o presidente russo, Vladimir Putin, a um “rato encurralado” na guerra contra a Ucrânia.
Os contatos ocorrem enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, tenta reabrir negociações para um cessar-fogo na Ucrânia. Na semana passada, após uma reunião na Rússia entre Putin e o enviado especial americano Steve Witkoff, o Kremlin informou que o presidente russo concordou em retomar negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos a partir do próximo mês.
A guerra começou com a invasão russa da Ucrânia em 2022 e mantém a segurança europeia no centro das relações entre os EUA, a Otan e a Rússia. Os países bálticos — Estônia, Letônia e Lituânia — integram a aliança militar, cujo princípio de defesa coletiva prevê que um ataque a um membro seja tratado como um ataque a todos.
Neste mês, a Ucrânia criticou medidas de Trump que, segundo o governo ucraniano, favorecem a Rússia, incluindo a compra de diesel russo e a suspensão de tarifas sobre países que importam combustíveis e outros produtos russos. A mídia estatal russa também informou nesta semana que Washington negocia com o Kremlin a suspensão de sanções ao fundo soberano russo, impostas pelo governo de Joe Biden no início da guerra.