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Terça-feira, 20 de outubro de 2026

Reunião Nacional usa violência na França para impulsionar campanha

Jordan Bardella e Marine Le Pen culpam adversários pelos distúrbios, mas a autoria política dos ataques ainda não foi estabelecida.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Vitrine quebrada e destroços em uma rua comercial francesa após os distúrbios. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Vitrine quebrada e destroços em uma rua comercial francesa após os distúrbios.
Resumo em 30 segundos

Após manifestações pacíficas por melhores condições nas escolas e contra a alta do custo de vida, grupos atacaram prédios públicos e lojas em cidades francesas. O Reunião Nacional usa os distúrbios para defender sua agenda de segurança a seis meses da eleição presidencial, enquanto governo e esquerda trocam acusações.

O partido francês Reunião Nacional aproveitou uma onda de violência que atingiu cidades da França para defender sua agenda de segurança e mobilizar eleitores a seis meses da eleição presidencial. Jordan Bardella, presidente da legenda, e Marine Le Pen, candidata do partido, atribuíram os distúrbios à atuação de adversários políticos e disseram que a população poderá escolher uma mudança nas urnas.

Os episódios ocorreram na noite de sábado, após manifestações pacíficas por melhores condições nas escolas e contra a alta do custo de vida. Grupos de pessoas vestidas de preto, muitas mascaradas e sem filiação identificada, atacaram prédios públicos e estabelecimentos comerciais. Houve vitrines quebradas, lojas incendiadas e saques de bebidas alcoólicas e aparelhos eletrônicos.

No domingo, Bardella foi a uma delegacia no centro de Paris para demonstrar apoio aos policiais. Ele afirmou que a França estaria pagando o preço de décadas de tolerância à criminalidade e de enfraquecimento da autoridade e disse que seu partido está preparado para “restabelecer a ordem no país”. Também pediu que os eleitores façam “as escolhas políticas certas” nas próximas eleições.

Le Pen, por sua vez, responsabilizou a França Insubmissa, principal partido de esquerda radical, e seu líder, Jean-Luc Mélenchon, por supostamente estimular a violência. Ela disse que reivindicações sociais legítimas foram apropriadas pela esquerda e acusou os adversários de legitimar os confrontos. A França Insubmissa nega ter incentivado os atos violentos.

O Reunião Nacional defende uma força policial maior e mais equipada e apresenta a segurança como uma de suas prioridades. Nas eleições legislativas de 2024, a legenda propôs penas mínimas obrigatórias, o fim de reduções de pena e a construção de mais presídios. Também prometeu diminuir de 18 para 16 anos a idade a partir da qual acusados podem ser julgados como adultos e cortar subsídios estatais destinados aos pais de menores infratores.

A violência se tornou tema de disputa entre o governo centrista e a esquerda. O governo acusou políticos da França Insubmissa de incitar os atos, enquanto a legenda responsabilizou o governo por alimentar a indignação popular após anos de má gestão e policiamento truculento. As manifestações pacíficas por educação e custo de vida acabaram ofuscadas pelos ataques, cuja autoria política não foi estabelecida.

A estratégia do Reunião Nacional é apresentar a legenda como resposta a problemas de segurança e governança. Analistas avaliam que as imagens de destruição podem favorecer essa mensagem, mas ponderam que ainda faltam seis meses para a eleição e que o impacto dependerá, entre outros fatores, da continuidade dos protestos. As preferências dos eleitores também são influenciadas por questões diversas, não apenas pela segurança.

Marine Le Pen tem buscado ampliar a aceitação do partido e se distanciar de seu fundador, Jean-Marie Le Pen, seu pai, conhecido por declarações racistas, homofóbicas e antissemitas. A legenda, contudo, não rompeu totalmente com ele. Candidatos do partido já fizeram declarações racistas ou antissemitas, e tribunais franceses mantiveram a classificação oficial da sigla como extrema direita.

O Reunião Nacional também procura retratar a França como dividida entre centros urbanos, associados pelo partido a estudantes e manifestantes, e regiões do interior, que apresenta como mais tranquilas. Um professor de ciência política ouvido sobre a disputa avaliou que essa narrativa reforça a percepção de declínio e corresponde à base eleitoral da legenda, concentrada fora dos grandes centros e subúrbios.

A conjuntura política francesa inclui ainda um déficit orçamentário e um Parlamento sem maioria partidária. Para um deputado ecologista que encontrou Bardella na delegacia, a visita do dirigente em meio ao trabalho de campanha era inadequada. Ele acusou o Reunião Nacional de se beneficiar dos distúrbios e defendeu que os franceses se unam, em vez de aprofundar divisões.

Em vídeo publicado na noite de domingo, Le Pen condenou o que chamou de apropriação da indignação por “arruaceiros” e afirmou que os eleitores poderão escolher, na eleição presidencial, um caminho de restauração da autoridade e da segurança. O resultado político dos confrontos ainda dependerá do desenvolvimento dos protestos e da forma como os eleitores avaliarão as propostas dos partidos.

Fontes: O Globo

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