EUA retiram 12 bombardeiros B-1 de base no Reino Unido
A transferência ocorreu após informações sobre possível ataque com drones e expõe o impacto da guerra entre Irã e EUA na presença militar americana.
Resumo em 30 segundos
Os Estados Unidos transferiram 12 bombardeiros B-1 de uma base no Reino Unido após receber informações sobre um possível ataque com drones contra aeronaves e militares. A mudança reduz a capacidade de resposta rápida, enquanto ataques iranianos danificaram instalações americanas no Oriente Médio e elevaram os custos de operação e reconstrução.
Os Estados Unidos retiraram 12 bombardeiros B-1 de uma base aérea no Reino Unido depois de receber informações sobre um possível ataque com drones contra as aeronaves e militares americanos. A transferência ocorreu durante o fim de semana, em meio à guerra com o Irã, e autoridades dos EUA e do Reino Unido disseram que a ameaça vinha de agentes apoiados por Teerã, do outro lado da cerca da instalação.
O presidente Donald Trump descreveu a medida como uma precaução e afirmou que não houve nada de extraordinário. O secretário de Estado, Marco Rubio, disse que o Pentágono realoca recursos regularmente. A retirada, porém, expõe as dificuldades enfrentadas pelos EUA para manter forças em posições próximas ao Irã e proteger instalações na região.
Os bombardeiros B-1, também chamados de B-1B Lancer, são aeronaves de longo alcance usadas pela Força Aérea americana. Com a saída da base britânica, ainda podem atingir alvos, mas precisam partir dos Estados Unidos, o que aumenta o tempo de deslocamento e a necessidade de reabastecimento durante o voo.
A mudança se soma a outras retiradas e limitações na presença militar americana desde o início do conflito. Segundo a análise de autoridades e especialistas citados no debate sobre a guerra, bases no Oriente Médio foram fechadas ou tiveram seu uso restringido após ataques iranianos, enquanto a instalação britânica passou a ter limitações operacionais.
A retirada de aeronaves e tropas pode afetar o planejamento militar e o moral dos militares, avaliou Dana Stroul, que chefiou a política do Pentágono para o Oriente Médio durante o governo de Joe Biden. Para ela, o episódio também pode ser interpretado por Teerã como sinal de que ameaças contra instalações americanas podem levar Washington a recuar.
A guerra começou em 28 de fevereiro, quando Trump ordenou ataques ao Irã. O presidente havia projetado que o conflito terminaria rapidamente e, em diferentes momentos, falou em vitória e exigiu a “rendição incondicional” do país. Mais recentemente, afirmou que Teerã cederia “logo depois da eleição”.
O governo americano sustenta que o Irã está perto do colapso e que o bloqueio naval de embarcações que entram e saem do país pressiona o governo iraniano a negociar. Trump também rejeitou como “fake news” relatos sobre falta de munição e outros reveses militares. Teerã, por sua vez, respondeu aos ataques americanos com ofensivas contra bases e outros alvos na região.
As forças iranianas atingiram instalações em vários países do Oriente Médio. No Kuwait, um ataque a Port Shuaiba matou seis militares dos EUA e destruiu um centro de operações táticas do Exército. Drones e mísseis também danificaram estruturas para aeronaves na Base Aérea de Ali Al Salem e instalações de manutenção e abastecimento de combustível no Campo Buehring.
No Catar, um ataque à Base Aérea de Al Udeid danificou um radar de alerta antecipado. No Bahrein, um drone atingiu equipamentos de comunicação na sede da 5ª Frota dos EUA. Na Arábia Saudita, ataques à Base Aérea Príncipe Sultan danificaram comunicações e aviões-tanque usados para reabastecer aeronaves em voo.
A vulnerabilidade das bases também levou tropas americanas a deixar instalações e buscar abrigo em hotéis e escritórios espalhados pela região. Algumas dessas acomodações não tinham proteção militar, e o Irã localizou parte dos locais onde os militares estavam hospedados. A estação da Agência Central de Inteligência (CIA) na Arábia Saudita também foi atingida, embora não esteja claro se foi alvo deliberado.
As forças americanas dependem ainda de navios e instalações em locais mais distantes para sustentar operações. Grupos de porta-aviões que patrulham o Mar da Arábia, fora do Golfo Pérsico, precisam receber suprimentos de Diego Garcia, ilha no Oceano Índico situada a 3,5 mil quilômetros de distância. Esse percurso acrescenta tempo e custos à logística militar.
Os danos às instalações podem ter consequências financeiras de longo prazo. Parlamentares dizem que os reparos ou a reconstrução podem custar dezenas de bilhões de dólares, mas o Pentágono se recusou a fornecer ao Congresso estimativas. O senador Jack Reed, democrata de Rhode Island e principal integrante de seu partido no Comitê de Serviços Armados, afirmou que os custos aumentam em bilhões de dólares por mês e criticou o governo por não reconhecer a situação das munições nem os gastos com as bases.
O Comando Central dos EUA, responsável pelas operações militares no Oriente Médio, já planeja reposicionar e reformular instalações na região. O debate sobre a retirada dos B-1, portanto, vai além da segurança imediata das aeronaves: envolve a capacidade americana de manter forças perto de áreas de conflito e o custo de reconstruir uma infraestrutura militar atingida pela guerra.
Para entender
- B-1B Lancer
- Bombardeiro estratégico de longo alcance da Força Aérea dos Estados Unidos. A aeronave pode transportar diferentes tipos de armamento e realizar missões a grandes distâncias; para voar por mais tempo, pode ser reabastecida no ar.
- Comando Central dos EUA
- Comando militar responsável pelas operações americanas em uma ampla região que inclui o Oriente Médio e partes da Ásia Central. Planeja e coordena atividades militares dos Estados Unidos nessa área.