Estudo identifica quatro perfis de personalidade em gatos domésticos
A pesquisa distingue animais muito sociáveis, sociáveis, medrosos e tímidos; a personalidade dos gatos não pode ser definida pela cor da pelagem.
Resumo em 30 segundos
Com dados e observações de 310 tutores, pesquisadores de universidades japonesas identificaram quatro perfis de comportamento em gatos domésticos. A classificação combina timidez, medo e tendência de aproximação. A distinção pode ajudar tutores e abrigos a respeitar o ritmo de cada animal, sem confundir receio com falta de interesse.
Um estudo publicado na revista científica PLOS One identificou quatro perfis de personalidade em gatos domésticos: muito sociáveis, sociáveis, medrosos e tímidos. A pesquisa, conduzida por cientistas de universidades japonesas com dados e observações de 310 tutores, distingue a timidez do medo e aponta que alguns gatos hesitam diante de novidades, mas continuam interessados em se aproximar.
Os pesquisadores analisaram três aspectos do comportamento: o nível de timidez, o medo e a tendência de aproximação. A combinação dessas características permitiu separar animais que antes poderiam ser agrupados numa divisão simples entre medrosos e corajosos. O estudo foi liderado por Madoka Hattori, do Instituto para o Futuro da Sociedade Humana da Universidade de Quioto, e contou com a participação de Atsuko Saito, da Universidade Sophia, em Tóquio.
O perfil muito sociável reúne gatos com pouco medo e timidez e forte tendência de explorar. Eles costumam ir ao encontro de pessoas e objetos desconhecidos sem recuar. Segundo a pesquisa, animais criados desde cedo com contato frequente e positivo com humanos podem apresentar esse padrão e, em geral, aceitam melhor mudanças no ambiente e na rotina.
Os gatos sociáveis, descritos como o perfil mais comum, também são amigáveis e abertos ao contato, mas demonstram menos entusiasmo. Podem se aproximar de visitas com tranquilidade sem buscar atenção o tempo todo. A independência e a preferência por uma rotina também podem fazer parte desse comportamento.
Já os gatos medrosos tendem a se afastar de estranhos, ruídos repentinos e outras situações novas. Em vez de investigar, procuram um esconderijo e podem só voltar quando o ambiente estiver calmo. O estudo associa esse perfil a níveis elevados de medo e timidez e a uma baixa disposição para se aproximar. Pouca socialização na fase de filhote e experiências traumáticas são apontadas como possíveis fatores, embora os dados não permitam determinar a história de cada animal.
A quarta categoria é a dos gatos tímidos, que podem sentir medo e, ao mesmo tempo, demonstrar curiosidade. Eles recuam no primeiro momento, mas continuam observando a situação e podem se aproximar gradualmente. A diferença central é que, ao contrário do gato que se esconde e evita o contato, o tímido parece dividido entre a apreensão e a vontade de interagir.
Essa combinação é comparada à timidez humana, que envolve querer se aproximar e sentir ansiedade ao mesmo tempo. De acordo com a pesquisa, o comportamento tímido foi observado com maior frequência em machos e em gatos nascidos na rua. O tempo de convivência com humanos não alterou significativamente esse traço entre os animais classificados nesse grupo.
A distinção pode orientar tutores e abrigos na socialização dos gatos. Para um animal tímido, dar espaço e permitir que ele se aproxime no próprio ritmo pode favorecer o contato sem aumentar a apreensão. Para um gato muito medroso, os autores recomendam um ambiente estável e lugares seguros para se refugiar; forçar contato ou tentar pegá-lo no colo pode intensificar o desconforto.
A pesquisa não classifica a personalidade dos gatos pela cor da pelagem. Portanto, os perfis de gatos pretos, brancos, laranjas, cinzas, rajados, frajolas ou siameses não podem ser definidos apenas pela aparência. O estudo trata de padrões observados por meio de comportamentos, como a reação a pessoas, estímulos novos e oportunidades de aproximação.
Os pesquisadores escolheram os gatos porque seu comportamento é menos compreendido do que o dos cães. Os felinos convivem com humanos há cerca de 10 mil anos e são considerados semidomesticados, mantendo formas de sociabilidade distintas das dos cães. Para os autores, reconhecer essas diferenças ajuda a ajustar a convivência às necessidades de cada animal, sem confundir receio com falta de interesse.