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Segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Luto pet pode ser tão doloroso quanto a perda de uma pessoa próxima

Pesquisa com adultos do Reino Unido aponta que 21% dos que perderam um animal e alguém próximo sentiram mais a morte do pet; especialistas pedem acolhimento.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Pessoa acende uma vela ao lado da foto de um cachorro em homenagem ao animal. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Pessoa acende uma vela ao lado da foto de um cachorro em homenagem ao animal.
Resumo em 30 segundos

O luto pela perda de um animal de estimação pode ser intenso, mas nem sempre é reconhecido socialmente. Em uma pesquisa britânica, 21% dos participantes que já haviam perdido um pet e uma pessoa próxima disseram que a morte do animal foi a perda mais dolorosa. Rituais podem ajudar, e sofrimento que compromete a rotina merece atenção profissional.

A morte de um animal de estimação pode provocar um sofrimento intenso, mas a dor ainda é frequentemente minimizada por outras pessoas. Neste Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro, especialistas chamam atenção para o chamado luto não reconhecido: perdas que não recebem validação social, entre elas a de cães e gatos.

Uma pesquisa publicada em janeiro de 2026 na revista científica PLOS One ouviu 975 adultos do Reino Unido. Entre os participantes que já tinham perdido um animal e uma pessoa próxima, 21% disseram que a morte do pet foi a perda mais dolorosa que viveram.

O estudo, conduzido pelo psicólogo Philip Hyland, da Universidade de Maynooth, na Irlanda, também identificou que os sintomas de luto prolongado se organizam de forma semelhante após a morte de um animal ou de uma pessoa. Ainda assim, os manuais diagnósticos CID-11 e DSM-5-TR só permitem diagnosticar transtorno do luto prolongado quando a perda envolve um ser humano. A psicóloga Juliana Sato, especialista em vínculo humano-animal e luto pet, afirma que o autor do estudo defende a revisão dessa regra.

A forma de enfrentar a perda varia conforme as crenças de cada tutor, inclusive sobre o que acontece com o animal depois da morte. Uma revisão sistemática de 36 estudos, publicada na revista Omega, encontrou associações entre essas crenças e a elaboração do luto. Uma pesquisa italiana incluída na análise relacionou a crença de que animais também têm vida após a morte a uma elaboração mais tranquila; já a ideia de que esse destino é exclusivo dos seres humanos apareceu ligada a sofrimento maior.

Os estudos também registraram relatos de culpa entre tutores que temiam que o animal estivesse em um lugar ruim ou que a perda fosse uma punição. Sato afirma que não há uma crença única considerada correta para atravessar o luto e que as dúvidas sobre o destino do pet precisam ser acolhidas, em vez de descartadas com frases como “era só um bicho”.

O vínculo pode continuar após a morte por meio de lembranças, sonhos e homenagens. A literatura chama essas experiências de vínculos contínuos. Segundo Sato, rituais e memoriais podem ajudar algumas pessoas a se sentirem menos sozinhas, mas a culpa e as recordações dolorosas da relação também podem intensificar o sofrimento.

Escrever uma carta, acender uma vela ou visitar o local onde estão as cinzas são formas de prestar homenagem no Dia de Finados. Quando a saudade persiste por meses e impede a pessoa de trabalhar, dormir ou conviver, a psicóloga recomenda procurar ajuda profissional. Reações de veterinários e profissionais de saúde que minimizam a relação entre tutor e animal também podem agravar o luto, segundo a especialista.

Para entender

Luto não reconhecido
É o sofrimento causado por uma perda que não recebe validação ou apoio social. A morte de um animal de estimação é um exemplo descrito na literatura sobre o tema, pois algumas pessoas minimizam o vínculo entre tutores e animais.
Vínculos contínuos
Termo usado na literatura para experiências em que a relação com alguém que morreu permanece presente. No luto por animais, isso pode aparecer em lembranças, sonhos, homenagens e memoriais.

Fontes: O Globo

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