Estudo aponta que 35% dos bebês toleram amendoim após diagnóstico
Em pesquisa australiana, 778 bebês fizeram teste oral supervisionado; 12% tiveram anafilaxia, e os pesquisadores alertam que o procedimento não deve ser feito em casa.
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Estudo com bebês de menos de 18 meses em hospitais australianos constatou que 35% dos 778 submetidos a teste supervisionado toleraram amendoim e tiveram o diagnóstico de alergia retirado. Como 12% apresentaram anafilaxia, os pesquisadores ressaltam que o teste deve ocorrer em ambiente clínico, nunca em casa.
Um estudo realizado na Austrália concluiu que 35% dos bebês diagnosticados com alergia a amendoim toleraram o alimento em um teste de provocação oral supervisionado. A pesquisa, publicada na quinta-feira (5) na revista científica The Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice, avaliou crianças com menos de 18 meses em hospitais pediátricos do país.
A pesquisa foi conduzida pelo Murdoch Children's Research Institute e pelo National Allergy Centre of Excellence, em parceria com dez hospitais públicos. Dos 1.275 bebês avaliados, 778 fizeram o teste, que consiste em oferecer quantidades crescentes de amendoim sob acompanhamento médico. Entre eles, 65% apresentaram alguma reação; os demais toleraram o alimento e tiveram o diagnóstico retirado.
Segundo Kirsten Perrett, diretora do centro de excelência e responsável pelo programa ADAPT, o histórico clínico e os exames de alergia, quando usados isoladamente, não confirmaram com precisão a condição em muitos casos. Ela defendeu que o teste supervisionado seja considerado antes do início da imunoterapia oral, tratamento que administra doses pequenas e graduais do alimento para aumentar a tolerância.
O procedimento, porém, pode provocar reações graves e não deve ser feito em casa. Entre os bebês testados, 12% tiveram anafilaxia, uma reação alérgica intensa e potencialmente fatal. As equipes médicas controlaram todos os episódios registrados durante o estudo.
O caso de Arthur, acompanhado pelos pesquisadores, ilustra a diferença entre uma suspeita inicial e o resultado do teste. Aos cinco meses, ele apresentou vermelhidão no rosto e urticária nos ombros e abaixo do nariz depois de provar amendoim pela primeira vez. Foi diagnosticado com alergia e encaminhado ao programa ADAPT.
No teste supervisionado, Arthur tolerou doses progressivamente maiores sem apresentar sintomas, e os médicos retiraram o diagnóstico. “É um enorme alívio saber que Arthur consegue tolerar o amendoim e que podemos seguir em frente sem a incerteza de lidar com uma suspeita de alergia”, afirmou sua mãe, Leah.
Os resultados não significam que bebês com suspeita de alergia devam experimentar amendoim por conta própria. O teste de provocação precisa ser conduzido em ambiente clínico, onde profissionais podem identificar e tratar rapidamente uma reação. O estudo também aponta que exames e histórico devem ser considerados junto a uma avaliação capaz de confirmar se há alergia antes de manter restrições ou iniciar um tratamento de exposição gradual.
Os pesquisadores pretendem ampliar o programa para estudar também a alergia à castanha-de-caju, outro alimento associado a reações alérgicas na infância.